Obama procura vencer republicanos com jogo próprio

Ao propor na sexta-feira a unificação de vários órgãos federais de comércio, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama - do Partido Democrata -, procurou se sobrepor aos republicanos em um de seus principais argumentos na corrida presidencial: enxugar a estrutura do governo federal.

JEFF MASON, REUTERS

14 de janeiro de 2012 | 11h55

Essa foi a última ação tática da Casa Branca para nocautear os opositores de Obama e ganhar o apoio dos eleitores da classe média antes da eleição presidencial de novembro. Dirigentes da campanha de Obama e autoridades da Casa Branca dizem que vem mais pela frente.

As novas propostas ajudam a proteger Obama das acusações de que mantém um governo liberal. Se os republicanos não o apoiarem nessas medidas, isso abre uma nova brecha para descrevê-los como não dispostos a cooperar.

"Com ou sem o Congresso, eu vou manter isso", disse Obama, ao comentar seus planos. "Mas seria bem mais fácil se o Congresso ajudasse. Esta é uma área que deveria receber apoio bipartidário, porque torna nosso governo mais adequado, estratégico e enxuto. Não deveria ser uma questão partidária", comentou.

Ao pegar os parlamentares desprevenidos com uma medida surpreendente de seu governo e ao mesmo tempo tirar os holofotes dos pré-candidatos republicanos, que estão nas etapas iniciais da escolha do candidato presidencial, Obama e sua equipe política pressionam com uma estratégia que parece ter caído bem na opinião pública, segundo as pesquisas.

Outras iniciativas agressivas vão surgir nas próximas semanas antes de Obama divulgar o orçamento e fazer o discurso do Estado da União, no dia 24 de janeiro.

"A luta pela classe media vai perdurar por todo este ano, por meio do Estado da União, do orçamento, por meio de tudo que fizermos", disse o diretor de Comunicações da Casa Branca, Dan Pfeiffer, em uma entrevista.

Os temas que poderão ter boa acolhida durante o percurso da campanha eleitoral também aparecerão ao longo de todo o ano.

Na sexta-feira, Obama pediu ao Congresso que lhe concedesse autoridade para unificar agências federais.

Ao apresentar tal proposta em um ano eleitoral em que as relações com os congressistas estão tensas, o presidente pode fazer campanha sobre um plano para enxugar os órgãos do governo federal, independentemente de ser posto em prática ou não.

"É uma boa política e provavelmente bom governo também", disse o estrategista democrata Bud Jackson.

"Se não for aprovada, então as mesmas pessoas que o criticam como 'um presidente com um governo grande' serão as mesmas pessoas que votarão contra tornar o governo menor."

Num momento em que o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, se fortalece na corrida para a escolha do candidato republicano na eleição presidencial de novembro, Obama tem algumas poucas prioridades nos meses pela frente antes do início da campanha eleitoral: arrecadar dinheiro, definir um campo de batalha e vencer seu provável adversário no espectro político.

Os voluntários da campanha de Obama fizeram milhares de ligações para partidários dos democratas enquanto os pré-candidatos republicanos Romney, Rick Santorum, Ron Paul e outros se confrontavam para ser os escolhidos nas primárias do estado de Iowa e de New Hampshire.

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