Obama promete buscar mais desarmamento nuclear com a Rússia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu nesta segunda-feira negociar mais reduções de arsenais nucleares com a Rússia, pediu à China que siga o exemplo e emitiu alertas à Coreia do Norte e ao Irã.

MATT S, REUTERS

26 Março 2012 | 08h57

Admitindo que os Estados Unidos têm mais ogivas nucleares do que o necessário, Obama manteve em aberto a possibilidade de mais reduções do arsenal, ao mesmo tempo em que buscava atrair outros líderes nucleares para que adotem medidas concretas contra a ameaça do terrorismo nuclear.

"Já podemos dizer com confiança que temos mais armas nucleares do que precisamos", disse Obama a alunos da Universidade Hankuk, na Coreia do Sul, horas antes de inaugurar uma cúpula global de segurança em Seul.

Ele prometeu discutir a questão do desarmamento na sua reunião de maio com o presidente eleito da Rússia, Vladimir Putin. Mas novas reduções dos arsenais enfrentariam forte resistência da oposição republicana no Congresso norte-americano, que, em ano eleitoral, já acusa Obama de enfraquecer a dissuasão nuclear dos Estados Unidos.

Obama apresentou sua nova estratégia diante de um quadro em que Coreia do Norte e o Irã desafiam a pressão ocidental para abrir mão de seus programas nucleares.

O presidente criou grandes expectativas quando declarou em 2009, em Praga, que seria hora de buscar "um mundo sem armas nucleares". Ele admitiu na época que se tratava de um objetivo de longo prazo, mas foi esse tipo de oratória ambiciosa que o ajudou a ganhar o Nobel da Paz.

Em Seul, ele reiterou seu compromisso, dizendo que estão errados os que "zombam da nossa visão, que dizem que nossa meta é impossível e será sempre inatingível".

Ele também usou o discurso para falar à Coreia do Norte, que pretende lançar um foguete de longo alcance no mês que vem, causando preocupação em potências vizinhas.

"Saibam disso: não haverá mais recompensas por provocações. Esses dias acabaram. Eis a escolha à frente de vocês", afirmou Obama, que no mesmo dia discutiu a questão norte-coreana com o presidente chinês, Hu Jintao.

A Coreia do Norte disse que vai disparar o foguete para colocar um satélite em órbita, mas Estados Unidos e Coreia do Sul temem que se trate do teste disfarçado de um míssil balístico.

Anteriormente nesta segunda-feira, Obama acusou o Irã de ter trilhado o "caminho da recusa, do logro e da enganação" no trato com o exterior, mas que ainda há tempo para uma solução diplomática na questão nuclear, e é preciso que Teerã demonstre urgência.

"O tempo é curto", disse Obama sobre a possibilidade de novas negociações entre o Irã e potências nucleares. "Os líderes do Irã devem entender que não há escapatória."

Os Estados Unidos e seus aliados acusam o Irã de desenvolver armas nucleares sigilosamente, algo que Teerã nega.

(Reportagem adicional de Alexei Anishchuk, Yoo Choonsik, Jack Kim e Alister Bull)

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