Obama promete cortes no orçamento dos EUA

O presidente-eleito dos EUA, Barack Obama, anunciou na terça-feira a equipe que vai cuidar o orçamento em seu governo e prometeu cortes significativos para contrabalançar um vultoso pacote de estímulo econômico. À frente do Escritório de Orçamento e Administração, Peter Orszag e Rob Nabors vão examinar atentamente os gastos federais para reduzir programas onerosos, segundo Obama. "Para fazermos os investimentos de que precisamos, temos também de estar dispostos a cortar os gastos de que não precisamos", disse ele na sua segunda entrevista coletiva em dois dias. Um exemplo óbvio, segundo ele, são os subsídios a fazendeiros que faturam mais de 2,5 milhões de dólares por ano. A partir da posse, em 20 de janeiro, o novo governo deve implementar um pacote de dois anos para salvar ou criar 2,5 milhões de empregos, a um custo de centenas de milhões de dólares. Obama abandonou a discrição que vinha adotando desde a eleição, no dia 4, e agora parece buscar um contato mais direto com a população. Na quarta-feira, deve conceder sua terceira entrevista da semana. Na segunda-feira, Obama anunciou os nomes de Timothy Geithner como secretário do Tesouro, e de Lawrence Summers para a chefia do Conselho Econômico Nacional. Geithner é o atual presidente do Federal Reserve (Banco Central) de Nova York. Summers foi secretário do Tesouro no governo de Bill Clinton. Orszag atualmente é diretor do Departamento de Orçamento do Congresso, e Nabors é funcionário graduado da Comissão de Orçamento da Câmara. Ambos trabalharam na Casa Branca no governo de Bill Clinton. RESGATE FINANCEIRO Enquanto isso, o governo Bush continua tentando salvar o sistema financeiro os EUA. Na terça-feira, o Federal Reserve federal anunciou um programa de 600 bilhões de dólares para a compra de títulos e créditos garantidos por hipotecas não-pagas. Outros 200 bilhões de dólares irão para o crédito direto ao consumidor, na forma de cartões de crédito e financiamento de automóveis. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, pediu paciência e disse que as medidas vão demorar a funcionar. Assessores de Obama estão em contato com os funcionários do governo Bush, que por sua vez prometem cooperar com Geithner e as outras futuras autoridades econômicas. A crise se agravou desde a eleição de Obama -- a indústria automobilística alertou para o risco de quebra, o desemprego subiu e o governo teve de resgatar outro gigante financeiro, o Citigroup. Novos dados divulgados na terça-feira revelaram que a economia dos EUA teve no terceiro trimestre uma retração acima da esperada, e que a queda no consumo foi a mais forte em 28 anos. Os lucros das empresas e as taxas de investimento também caíram. Na segunda-feira, Obama disse que ainda não se decidiu se vai revogar os benefícios fiscais concedidos aos mais ricos por Bush em 2001, ou se simplesmente vai permitir que eles expirem em 2010, o que evitaria atritos no Congresso.

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