Obama promete lealdade ao Iraque

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu nesta segunda-feira que seu país continuará sendo um parceiro fiel do Iraque depois da retirada quase total das tropas norte-americanas até o final desse mês.

ALISTER BULL E JEFF MASON, REUTERS

12 de dezembro de 2011 | 19h16

A desocupação provoca incertezas para o país, mas Obama minimizou o risco de que um vácuo de poder se instale no Iraque, num momento em que todo o Oriente Médio sofre direta ou indiretamente as turbulências da chamada Primavera Árabe.

"Na medida em que terminamos esta guerra e o Iraque enfrenta seu futuro, os iraquianos devem saber que não ficarão sozinhos. Vocês têm nos Estados Unidos da América um parceiro forte e duradouro", disse Obama em entrevista coletiva na Casa Branca, ao lado do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki.

Já em clima de campanha para a reeleição, que irá disputar em novembro de 2012, Obama cumpriu a promessa feita aos norte-americanos de acabar com a impopular guerra do Iraque.

Desde o início da ocupação, em 2003, quase 4.500 soldados dos EUA morreram. As alegações do governo de George W. Bush para iniciar a guerra - que o regime de Saddam Hussein teria armas de destruição em massa e seria aliado da Al Qaeda - nunca se comprovaram.

Depois de o Iraque quase mergulhar numa guerra civil sectária em 2006/07, a violência no país diminuiu significativamente, mas ainda há tensões entre xiitas, sunitas e curdos, o que afeta o programa econômico e político do país.

A oposição republicana diz que, sem a mediação das forças dos EUA, as tensões no Iraque podem se agravar, e um vazio de poder pode surgir. Além disso, os rivais de Obama veem com preocupação a onda de violência na vizinha Síria, e temem que o Irã, arqui-inimigo dos EUA, tente explorar a retirada norte-americana para ampliar sua influência sobre o Iraque.

Mas Maliki se apresenta como um nacionalista que não irá se curvar a nenhuma potência estrangeira, e Obama disse acreditar na sua palavra. "Ele já demonstrou estar disposto a tomar decisões duríssimas pelo interesse do nacionalismo iraquiano, mesmo que elas causem problemas com seu vizinho", afirmou.

Depois da reunião, Obama e Maliki visitaram túmulos de soldados norte-americanos no Cemitério Nacional de Arlington.

O presidente e a primeira-dama, Michelle, viajam na quarta-feira para o quartel Fort Bragg, na Carolina do Norte, onde pretendem agradecer soldados que estejam regressando do Iraque, num evento destinado a manter o foco do noticiário sobre a questão da segurança nacional, embora o eleitorado dos EUA diga que sua maior preocupação é com a economia.

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