Obama promete rigor em apuração de crime no Afeganistão

O presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu na terça-feira que a chacina cometida por um sargento norte-americano no Afeganistão será investigada como se os mortos fossem "nossos próprios cidadãos e nossas próprias crianças", e prometeu um fim responsável para a guerra no país.

JEFF MASON, REUTERS

13 de março de 2012 | 17h27

A Casa Branca disse que não cogita acelerar a retirada das tropas do Afeganistão por causa do incidente que resultou em 16 mortes, e que decisões sobre o contingente estrangeiro no país não serão discutidas antes da cúpula da Otan nos dias 20 e 21 de maio em Chicago.

O massacre ocorrido no domingo em aldeias do sul do Afeganistão vitimou principalmente mulheres e crianças, e complica as negociações para que os EUA mantenham consultores militares e forças especiais no país depois da retirada das suas tropas de combate, no final de 2014.

O incidente, em pleno ano eleitoral, também motivou críticas de pré-candidatos republicanos à política externa de Obama.

"Os Estados Unidos levam isso tão a sério quanto se fossem nossos próprios cidadãos e nossas próprias crianças que tivessem sido assassinadas", disse Obama a jornalistas na Casa Branca, acrescentando que transmitiu essa mensagem em telefonema ao presidente Afeganistão, Hamid Karzai.

"Estamos arrasados com a perda de vidas inocentes", disse o presidente dos EUA. "O assassinato de civis inocentes é ultrajante, é inaceitável, não é o que somos como país, e não representa os nossos militares", afirmou ele.

O Pentágono está realizando uma investigação, e Obama acrescentou: "Posso assegurar ao povo norte-americano, e ao povo afegão, que iremos seguir os fatos aonde quer que eles nos levem, e vamos assegurar que quem estiver envolvido será plenamente responsabilizado com toda a força da lei".

Contrariando o teor de uma reportagem do jornal The New York Times, que citava discussões no governo para acelerar a retirada das tropas norte-americanas, um porta-voz da Casa Branca, Tommy Vietor, disse que os EUA não estão avaliando opções além do plano já definido de retirar 33 mil soldados até meados de setembro.

"Nenhuma decisão foi tomada", afirmou. "Após essa redução inicial, nossas tropas vão continuar voltando para casa em um ritmo constante, conforme as forças afegãs de segurança assumam a liderança."

No passado, a oposição republicana criticava Obama por marcar data para a retirada, alegando que isso daria moral aos inimigos dos EUA. Agora, no entanto, pré-candidatos como os conservadores Rick Santorum e Newt Gingrich sugerem que os EUA apressem a desocupação.

A maioria dos norte-americanos quer um fim rápido para o conflito, que já dura mais de dez anos. Obama disse, no entanto, que os EUA não podem abandonar a tarefa agora.

"Vamos continuar o trabalho de devastar a liderança da Al Qaeda e de lhes negar refúgio. Não há dúvida de que enfrentamos um desafio difícil no Afeganistão, mas estou confiante de que podemos continuar a trabalhar no cumprimento dos nossos objetivos, em proteger o nosso país e em encerrar essa guerra de forma responsável."

(Com reportagem de Matt Spetalnick e Samson Reiny)

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