Obama salienta riscos de corte orçamentário para setor de defesa

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi nesta terça-feira a um estaleiro dependente de contratos militares para defender mais moderação nos cortes orçamentários, mas não há sinais de que ele conseguirá impedir o contingenciamento automático que entra em vigor na sexta-feira.

MARK FELSENTHAL, Reuters

26 de fevereiro de 2013 | 21h13

"Esses cortes estão errados. Eles não são inteligentes, não são justos. São uma ferida autoinfligida que não tem de acontecer", disse ele a operários diante de uma enorme turbina de submarino no estaleiro Newport News Shipbuilding, na Virgínia.

A entrada em manutenção no estaleiro do porta-aviões USS Abraham Lincoln, por exemplo, já foi adiada devido à crise orçamentária.

A Casa Branca tem promovido vários eventos para alertar sobre possíveis danos dos cortes orçamentários de 85 bilhões de dólares sobre os serviços públicos, da menor oferta de creches a um caos aéreo.

Um acordo no Congresso poderia suspender os cortes, mas parece improvável que os dois partidos se ponham de acordo nesta semana sobre como substituí-los.

Os republicanos querem cortes de outra natureza, mais dirigidos do que o chamado "sequestro" orçamentário generalizado. Eles acusam Obama de estar exagerando o impacto do sequestro para promover planos do seu governo para eliminar lacunas tributárias que beneficiam contribuintes mais ricos.

O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse que Obama está "usando nossos homens e mulheres militares como objeto cênico em mais um comício de campanha para angariar apoio aos seus aumentos tributários".

"O presidente anda por aí como se o mundo fosse acabar porque o Congresso pode realmente seguir uma ideia que ele propôs e sancionou como lei, enquanto finge que é de certa forma impotente para parar com isso", disse o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell.

Num sinal de como estão distantes de impedir o sequestro orçamentário, parlamentares republicanos e a Casa Branca estão se culpando mutuamente pelos cortes, que foram aceitos por democratas e republicanos em um plano de 2011, que se destinava a resolver uma crise orçamentária anterior.

Com uma viagem a uma região do país muito dependente da indústria bélica, Obama busca chamar a atenção para os efeitos do sequestro para comunidades onde muitos empregos estão nesse setor.

Por causa do sequestro, aplicado igualmente a todos os setores do governo, o Pentágono precisará colocar a maioria dos seus 800 mil funcionários civis numa licença não-remunerada de 22 dias, disseram funcionários da Defesa ao Congresso. Também haverá reduções nas manutenções de navios e aviões e nos programas de treinamentos, acrescentaram eles.

Mas o sequestro entrará em vigor gradualmente, então não se prevê nenhum choque para a economia na sexta-feira, quando entra em vigor.

(Reportagem adicional de Patricia Zengerle e Roberta Rampton, em Washington)

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