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Obama se diz 'contente, mas insatisfeito' com início de mandato

Presidente americano afirma que está 'confiante em relação ao futuro, mas não contente com o presente'

Agências internacionais,

29 de abril de 2009 | 19h32

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, completou nesta quarta-feira, 29, cem dias no cargo dizendo-se "contente com os progressos" alcançados, "mas não satisfeito". Para marcar a data, ele participou de uma sessão de perguntas e respostas com eleitores na cidade de Arnold, perto de Saint Louis, no Missouri. "Estou confiante com relação ao futuro, mas não estou contente com o presente", disse ele, antes de uma entrevista coletiva, marcada para 21 horas, no horário de Brasília.

 

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Inicialmente, a Casa Branca estava dividida a respeito de como celebrar os cem primeiros dias de governo Obama. Muitos assessores temiam serem acusados de cantar vitória cedo demais. No fim, a equipe presidencial optou pelo evento em Saint Louis e afinou o discurso, decidindo considerar os primeiros meses um sucesso, mas reconhecendo que ainda há muito o que fazer. O marco dos cem dias é tradicionalmente usado nos EUA para avaliar as políticas do recém-chegado.

 

Antes de partir para Saint Louis, Obama participou de uma coletiva em Washington ao lado do senador Arlen Specter, que na terça-feira anunciou que estava trocando o Partido Republicano pelo Democrata. "Nestes cem dias, começamos a colocar o país na direção certa", afirmou Obama, que se disse "muito satisfeito" com a decisão de Specter, que colocou os democratas mais perto da maioria absoluta de 60 senadores.

 

Mais tarde, diante de eleitores no Missouri, Obama reiterou que ainda está no começo do mandato e há muito por fazer. Segundo ele, os primeiros meses serviram para colocar em prática o que foi prometido na campanha: investir em energia, educação e saúde "As mudanças que fizemos são as que tínhamos prometido", afirmou. "Começamos a nos levantar, a sacudir a poeira, e começamos o trabalho de refazer a América", disse Obama. "Haverá reveses. Levará tempo. Mas prometo que sempre lhes direi a verdade sobre os desafios que enfrentamos."

 

Especialistas dizem que ainda é muito cedo para uma avaliação do governo. "Não existe mágica em cem dias", afirmou Ross Baker, professor de ciências políticas da Universidade Rutgers. Para William Galston, analista do Instituto Brookings e ex-assessor de Bill Clinton, a marca de cem dias é um "parâmetro artificial". "Serviu apenas para que nós conhecêssemos mais o ser humano que está ocupando o Salão Oval", disse. "Os primeiros meses mostraram um presidente sereno e eficiente com relação a

vários temas."

 

Dos cem dias, Baker e Galston destacaram a aprovação do pacote de estímulo econômico de US$ 787 bilhões e a iniciativa para reformar o sistema de saúde. Além disso, Obama firmou as bases para o fim do conflito no Iraque, fixou uma nova estratégia para o Afeganistão e ordenar o fechamento da prisão de Guantánamo.

 

Como exemplo da precariedade dos cem dias como indicativo, muitos analistas citam George W. Bush, cujo governo acabou sendo marcado por fatos como os atentados de 11 de setembro de 2001 (quase nove meses depois da posse) e a invasão do Iraque (em 2003).

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