Obama sofre pressão para intervir na Líbia

Cresce na terça-feira a pressão para que a Casa Branca intervenha contra a sangrenta repressão a manifestantes na Líbia, e um parlamentar ligado ao presidente Barack Obama sugeriu que as empresas petrolíferas suspendam suas atividades no país do norte africano.

ROSS COLVIN E ARSHAD MOHAMMED, REUTERS

22 de fevereiro de 2011 | 19h38

O governo recebeu propostas de ações militares, como bombardear aeródromos líbios e impor zonas de exclusão aéreas, e também foi criticado por causa do silêncio de Obama a respeito da repressão que já deixou centenas de mortos.

O senador democrata John Kerry, influente presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado, disse que o governo Obama deveria cogitar a readoção de sanções duras contra a Líbia.

"Os líderes mundiais devem juntos avisar o coronel (Muammar) Gaddafi de que suas ações covardes terão consequências", disse Kerry, que pediu o envolvimento também de empresas petrolíferas norte-americanas e de outros países.

A republicana Ileana Ros-Lehtinen, que preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, disse que os EUA e outras nações deveriam impor sanções econômicas à Líbia, como o congelamento de bens e a proibição de viagens para autoridades líbias de primeiro escalão e suas famílias.

Em editorial, o jornal The Washington Post afirmou que os EUA precisam adotar uma posição mais incisiva, inclusive cobrando publicamente a substituição do governo. Na maior parte dos últimos 41 anos, desde que Gaddafi assumiu o poder, a Líbia foi inimiga dos EUA.

Mas, ao contrário do que ocorreu no Egito e Barein --onde Washington conseguiu convencer governos aliados a moderarem a repressão a manifestantes--, as opções dos EUA para influenciar os fatos na Líbia são limitadas.

Questionada sobre a possibilidade de os EUA irem além da mera condenação, a secretária de Estado Hillary Clinton disse que seu país está discutindo as ações "apropriadas" com a comunidade internacional.

Ela sugeriu que a reação cautelosa de Washington até agora reflete uma preocupação com a segurança de cidadãos dos EUA na Líbia. "A segurança e o bem estar dos norte-americanos tem sido a nossa maior prioridade."

O Departamento de Estado informou anteriormente que não conseguiu retirar funcionários não-essenciais e familiares de membros da embaixada da Líbia. O porta-voz P.J. Crowley disse que 35 funcionários e seus parentes devem sair nos próximos dias.

Dezenas de ativistas contrários a Gaddafi fizeram uma manifestação em frente à sede do governo norte-americano. "Casa Branca, cadê você? A Líbia precisa de você agora", gritavam.

Uma ação militar a esta altura parece improvável, embora não seja algo inédito para os EUA. Em 1986, aviões norte-americanos bombardearam Benghazi, segunda maior cidade do país, em retaliação por um atentado a uma discoteca que matou militares dos EUA em Berlim. Uma filha adotiva de Gaddafi estava entre os mais de 40 líbios mortos.

Os dois países mantêm uma gradual reaproximação desde 2003, quando Gaddafi aceitou abrir mãos de seus programas de armas de destruição em massa. As sanções econômicas dos EUA também foram gradualmente suspensas depois que o governo líbio admitiu seu envolvimento na explosão de um avião da Pan Am sobre a Escócia em 1988.

(Reportagem adicional de David Morgan, Susan Cornwell, Arshad Mohammed, Andrew Quinn e Doug Palmer)

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