Obama tenta evitar candidatura palestina na ONU

O presidente dos EUA, Barack Obama, que tenta evitar os prejuízos políticos decorrentes de um pedido palestino de filiação à ONU, disse nesta quarta-feira que nada irá substituir as negociações entre palestinos e israelenses, e que não existe atalho para a paz.

ALISTAIR LYON, REUTERS

21 Setembro 2011 | 20h01

Num momento em que a credibilidade e influência dos EUA no Oriente Médio estão em xeque, Obama tenta dissuadir os palestinos de pleitearem a filiação à ONU, e ameaça usar o poder de veto norte-americano no Conselho de Segurança para evitar que isso ocorra.

Mas o dirigente sênior palestino Nabil Shaath afirmou: "Cordial e respeitosamente dizemos 'não' a ele". Shaath, no entanto, disse que os palestinos irão conceder "algum tempo" ao Conselho de Segurança para analisar o pedido.

"Qualquer demora será parte do procedimento", disse Shaath, acrescentando que em caso de "demora indevida" os palestinos vão recorrer à Assembleia Geral da ONU -- onde os EUA não têm poder de veto, e a maioria de dois terços dos 193 países em prol dos palestinos estaria praticamente assegurada.

A Assembleia, no entanto, só tem poderes para conceder aos palestinos o status de "Estado não-membro", semelhante ao que desfruta o Vaticano, por exemplo. Nessa hipótese, a Palestina poderia aderir ao Tribunal Penal Internacional e assinar outros tratados internacionais. Atualmente a Autoridade Palestina tem status de "observadora" na ONU.

Os EUA e seus aliados israelenses dizem que o Estado palestino só poderá ser reconhecido ao final de negociações diretas com Israel, e que o "atalho" pela ONU seria prejudicial ao processo de paz no Oriente Médio. Os palestinos dizem que precisaram recorrer à ONU devido ao impasse atual no processo de paz.

Agitando bandeiras, palestinos ocuparam praças da Cisjordânia para manifestar apoio à adesão à ONU.

"NÃO HÁ ATALHO"

Um ano depois de dizer à Assembleia Geral da ONU que esperava ver o Estado palestino ser criado até a época atual, Obama reiterou, no seu discurso desta quarta-feira, que essa continua sendo a sua meta.

"Mas a questão não é a meta que buscamos -- a questão é como alcançá-la. E estou convencido de que não há atalho para o final de um conflito que já dura décadas", afirmou.

"A paz não virá por meio de declarações e resoluções da ONU -- se fosse assim tão fácil, ela já teria sido alcançada", afirmou Obama. "Afinal de contas, são os israelenses e palestinos que precisam conviver. Afinal de contas, são os israelenses e palestinos -- não nós -- que devem chegar a um acordo a respeito das questões que os dividem: fronteiras e segurança, refugiados, e Jerusalém."

Obama quer evitar que a questão chegue ao Conselho de Segurança, onde as adesões precisam ser aprovadas, porque o uso do veto acarretaria graves riscos políticos para os EUA num momento de turbulências políticas sem precedentes no Oriente Médio.

Em seu discurso, o presidente norte-americano reiterou seu apoio à democratização do mundo árabe, defendeu mais sanções da ONU ao presidente sírio, Bashar al Assad, e conclamou Irã e Coreia do Norte a cumprirem suas obrigações nucleares, sob o risco de enfrentarem "maior pressão e isolamento".

Depois do discurso, Obama se reuniu com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem se comprometeu a manter o sólido apoio norte-americano. Mais tarde, ele teria um encontro com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, numa última tentativa de demovê-lo do pedido de adesão à ONU.

(Reportagem adicional de Ali Sawafta, Andrew Quinn, Louis Charbonneau, Matt Spetalnick, Laura MacInnis, John Irish, Emmanuel Jarry, Daniel Bases e Patrick Worsnip na ONU; e Tom Perry em Ramallah)

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