Obama tenta hoje defender reforma para saúde

Até mesmo alguns democratas estão reticentes ao projeto, porque a proposta deve elevar os gastos do governo

Gustavo Chacra, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2009 | 07h21

 

NOVA YORK - O presidente dos EUA, Barack Obama, discursará nesta quarta-feira, 9, no Congresso com o objetivo de reiterar seu papel de protagonista na reforma do sistema de saúde. Com o discurso, Obama - que parece ter pedido seu "momentum" - pretende retomar a iniciativa política e, por tabela, sua popularidade, que vem caindo de forma significativa nas últimas semanas.

 

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A expectativa, em Washington, é de que Obama delineie mais detalhadamente qual o seu projeto para o tema doméstico mais polêmico de sua administração. Grupos conservadores teriam vencido a batalha midiática ao difundir informações que, segundo a Casa Branca, são mentirosas. Alguns diziam até mesmo que o presidente tem uma agenda socialista secreta.

A apresentação do plano de reforma traz riscos para Obama. Ao tentar buscar o apoio de todos os lados para a aprovação de seu plano, ele pode alienar seus simpatizantes mais à esquerda sem conseguir atrair democratas mais conservadores e alguns republicanos. As linhas gerais do plano já foram definidas por Obama, mas elas sofreram duras críticas de vários segmentos da sociedade - para quem a proposta de reforma do sistema de saúde é pouco clara.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, garantiu que o presidente será bem claro em seu discurso. Alguns analistas conservadores dizem que Obama chegou à Casa Branca com o sonho de ser Franklin Roosevelt, mas pode sair de uma forma muito parecida à de Jimmy Carter, que deixou o governo após uma humilhante derrota para Ronald Reagan e se tornou sinônimo de fracasso em política doméstica. Outro medo do atual presidente é perder a votação da reforma do sistema de saúde como Bill Clinton. A diferença é que o marido da atual secretária de Estado não autorizou que alterassem seu plano - Obama permite.

Apesar da ampla maioria tanto na Câmara como no Senado, o presidente terá de convencer deputados democratas mais conservadores. Eles relutam em apoiar um plano que possa provocar aumento de impostos e mais gastos do governo. Sem eles, o governo não terá o número de votos necessários para a aprovação.

Esses democratas se distanciaram até mesmo da proposta que prevê tornar a cobertura estatal uma opção, que seria adotada apenas se os planos privados não baixassem os preços ou não ampliassem a cobertura. Mike Ross, um dos líderes deste grupo, desfez o acordo acertado com Rahm Emanuel, chefe de gabinete da Casa Branca.

Ao mesmo tempo, Nancy Pelosi e outros 60 deputados mais à esquerda do Partido Democrata dizem que, se a opção pública não for incluída, votarão contra o plano de Obama. Sem eles, o governo também fica sem maioria.

 

Popularidade

 

A estratégia engloba não apenas sua fala desta quarta, mas também a de terça-feira, para os estudantes, e até mesmo fotos como a de ele trabalhando no Salão Oval da Casa Branca com a filha Sasha se escondendo atrás de um sofá - evocando a imagem do filho de John Kennedy debaixo da mesa do pai quase cinco décadas atrás. Outras táticas, como os debates com a comunidade, organizados ao longo do verão para Obama esclarecer dúvidas sobre a reforma do sistema de saúde, não tiveram o efeito esperado. O presidente também tem sido criticado até por setores democratas pela condução na guerra do Afeganistão e pela incapacidade de a administração aprovar no Congresso a nova lei climática.

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