Obama tenta salvar acordo sobre teto da dívida dos EUA

O Congresso dos Estados Unidos trabalhou neste sábado para esboçar um plano para a dívida nacional que supere as divergências entre democratas e republicanos sobre tributação e evite que o país chegue a uma catastrófica insolvência, que poderia ocorrer dentro de poucos dias.

ALISTER BULL E RICHARD COWAN, REUTERS

23 de julho de 2011 | 17h58

Um dia depois do colapso das conversações, num clima de amargor, o presidente norte-americano, Barack Obama, manteve neste sábado na Casa Branca uma reunião de emergência com líderes do Congresso e lhes pediu que busquem pontos em comum. Todos pretendem chegar a um acordo até segunda-feira.

Um assessor da liderança republicana disse que os congressistas estão trabalhando em um plano para economizar de 3 trilhões a 4 trilhões de dólares ao longo de dez anos. Dirigentes do Partido Republicano querem "mostrar progresso" até as 16 horas do domingo, em Washington (17 horas em Brasília), segundo o assessor.

Numa evidência do sério risco para a classificação do crédito dos Estados Unidos, bem como para os mercados financeiros, os líderes do Congresso esperam chegar a um plano que possam divulgar publicamente antes de os mercados asiáticos abrirem na segunda-feira (na noite de domingo em Washington).

O encontro deste sábado durou apenas 50 minutos e o humor na mesa da reunião na Casa Branca parecia tenso.

Nas conversações, Obama advertiu os congressistas de que não deveriam buscar uma prorrogação apenas de curto prazo para o limite de 14,3 trilhões de dólares para a dívida dos EUA, como alguns desejam. Ele quer uma prorrogação que permita ao país obter empréstimos para pagar suas contas ao longo de todo o ano de 2012,quando ele e a maioria dos parlamentares estarão prestes a se candidatar à reeleição.

"O Congresso deveria evitar jogos políticos inconseqüentes com nossa economia. Em vez disso, deveria ser responsável e fazer o seu trabalho, evitando a insolvência e cortando o déficit," disse o secretário de imprensa do governo, Jay Carney, em comunicado divulgado depois de um encontro entre Obama e líderes do Congresso.

Uma prorrogação de prazo, de somente alguns meses, poderia levar as agências de crédito de Wall Street a retirarem a dourada classificação de Triplo A dada aos EUA e provocar o aumento das taxas de juros para os consumidores, disse Obama no encontro.

O presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, principal líder republicano, prometeu que neste fim de semana o Congresso "vai formatar um responsável caminho" e que os líderes da Câmara e do Senado vão trabalhar para encontrar uma solução bipartidária para "reduzir significativamente o gasto de Washington e preservar a confiança e o crédito plenos dos Estados Unidos."

O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, afirmou depois do encontro que os dirigentes no Congresso estão elaborando nova legislação que "vai evitar a insolvência ao mesmo tempo que reduzirá substancialmente os gastos" do governo federal.

Obama diz ter concordado com profundos cortes em programas sociais, algo que desagrada a seu partido, o Democrata, mas ele afirma que os republicanos precisam permitir algum aumento de impostos, medida que eles vêm rejeitando.

(Reportagem adicional de Laura MacInnis, Matt Spetalnick, Andy Sullivan e Tom Ferrar)

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