Obama terá de andar na corda bamba no discurso sobre o Iraque

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estará andando na corda-bamba ao fazer seu discurso sobre o Iraque nesta terça-feira à noite, tendo de destacar os avanços rumo ao fim da guerra, mas sem passar a ideia de que se trata de um momento "missão cumprida".

CAREN BOHAN, REUTERS

31 de agosto de 2010 | 09h02

A Casa Branca afirmou que o fim das missões de combate, que ocorre oficialmente nesta terça-feira, deixando no Iraque apenas 50 mil soldados para missão de apoio e treinamento, representa o cumprimento de uma promessa feita por Obama durante a sua campanha eleitoral, em 2008.

Obama espera que a mensagem ajude seus correligionários democratas nas eleições parlamentares de 2 de novembro.

O pronunciamento, marcado para as 20h (21h em Brasília), será apenas o segundo discurso de Obama no Salão Oval da Casa Branca. Em junho, o presidente havia usado esse local altamente simbólico para discutir a resposta do seu governo ao vazamento de petróleo no golfo do México.

Enquanto Obama se preparava para o discurso, seu vice, Joe Biden, viajou na segunda-feira ao Iraque para garantir aos iraquianos que os EUA não os abandonarão.

Biden deveria conversar com líderes iraquianos envolvidos no impasse para a formação do novo governo local, que se arrasta desde as inconclusivas eleições de março.

Obama disse no domingo, em entrevista à NBC News, que os iraquianos estão passando por um processo político que é natural numa democracia recente. "Estamos confiantes em que isso vai passar", declarou.

Antes do discurso, Obama deve visitar militares em Fort Bliss, no Texas.

Durante o pronunciamento, o presidente precisa evitar uma imagem excessivamente triunfal. Fazer isso evocaria comparações com o discurso de 2003 de seu antecessor, George W. Bush, a bordo de um porta-aviões.

Em frente a um cartaz com os dizeres "missão cumprida", Bush anunciou que as grandes operações de combate haviam terminado. A violência no Iraque posteriormente explodiu e o evento passou a ser visto como um grande tropeço.

"Vocês não ouvirão essas palavras vindas de nós", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, sobre o slogan "missão cumprida". "Obviamente, amanhã (terça-feira) marca uma mudança na nossa missão. É um marco que alcançamos na remoção das nossas tropas de combate. Isso não quer dizer que a violência irá acabar amanhã."

Mais de 4.400 soldados dos EUA morreram no Iraque desde a invasão norte-americana de 2003, que derrubou o regime de Saddam Hussein.

Obama, que foi contra o conflito, aproveitou o sentimento antiguerra que havia em 2008 para se credenciar como candidato democrata à Presidência. Quando tomou posse, em janeiro de 2009, os EUA tinham 140 mil soldados no Iraque, contingente que havia chegado a 176 mil sob Bush.

Na prática, o fim das missões de combate não marca uma grande mudança no terreno, porque os militares já vinham no último ano priorizando as atividades de treinamento e assistência. Obama promete retirar todos os soldados do Iraque até o final de 2011.

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