Obama vê risco de 'enormes tensões' na relação com a China

Disparidade na balança comercial e acúmulo de dólares em Pequim preocupam presidente dos Estados Unidos

Reuters,

10 Novembro 2009 | 09h18

Os Estados Unidos veem a China como um parceiro vital e um competidor, mas os dois países podem ter "enormes tensões" nas suas relações se não resolverem os desequilíbrios econômicos existentes, disse o presidente norte-americano, Barack Obama, na segunda-feira, 9.

A três dias de embarcar para uma viagem de nove dias pela Ásia, Obama disse que as duas nações mais poderosas do mundo precisam trabalhar juntas na resolução das grandes questões mundiais, e que a concorrência entre elas precisa ser justa e amistosa.

"Em questões críticas - seja mudança climática, recuperação econômica ou não-proliferação nuclear - é muito difícil ver como nós teremos sucesso ou a China terá sucesso nas suas respectivas metas sem colaborarmos", afirmou ele em entrevista à Reuters no Salão Oval da Casa Branca.

Ele alertou que nas últimas décadas as relações econômicas bilaterais ficaram "profundamente desequilibradas" por causa da gigantesca disparidade comercial e do grande acúmulo de títulos da dívida norte-americana por Pequim.

Obama disse que levará aos líderes chineses a delicada questão da cotação do iuan - que empresas dos EUA consideram estar muito desvalorizado, o que beneficia artificialmente as exportações chinesas.

"Conforme saímos de uma situação de emergência, uma situação de crise, acredito que a China estará cada vez mais interessada em encontrar um modelo que seja sustentável em longo prazo", disse ele. "Há uma enorme quantidade de dólares que eles estão acumulando, então nosso sucesso é importante para eles."

"O outro lado disso é que, se não resolvermos esses problemas, acho que tanto econômica quanto politicamente isso irá gerar enormes tensões sobre a relação."

Os EUA têm tentado convencer a China a estimular o consumo interno, o que ampliaria mercados para produtos norte-americanos. Ao mesmo tempo, Washington promete reduzir o seu endividamento.

O G20 (bloco de países ricos e emergentes) decidiu em setembro na sua cúpula de Pittsburgh buscar políticas que atenuem os desequilíbrios econômicos. Obama disse que uma das metas da sua viagem é ampliar esse acordo.

Mercados abertos

O governo Obama resiste à pressão interna para acusar formalmente a China de manipulação cambial, mas já impôs tarifas sobre pneus, canos e outros produtos chineses.

"Acho que nossos industriais teriam preocupações legítimas sobre nossa capacidade de vender para a China", disse Obama, enfatizando que o aumento das exportações é uma parte essencial do seu programa para a criação de empregos.

Obama tomou posse em janeiro, em meio à pior recessão das últimas décadas. Embora haja agora sinais de recuperação, o desemprego permanece alto --atingiu em outubro 10,2 por cento, maior taxa em 26 anos.

O presidente acrescentou que a questão climática também será uma parte importante da pauta de seus encontros com o colega Hu Jintao, e disse que os dois países que mais emitem no mundo precisarão encontrar um terreno comum para que haja sucesso no encontro internacional de dezembro, em Copenhague, que irá definir um novo tratado contra o aquecimento global.

Ele defendeu que China e EUA definam posições básicas às quais outros países possam aderir.

"Continuo otimista de que entre agora e Copenhague poderemos chegar a esse marco", afirmou, acrescentando que irá à Dinamarca em dezembro se achar que isso ajudará no acordo.

Essa será a primeira visita de Obama à China, mas o terceiro encontro bilateral entre ele e Hu.

O governo Obama vem mantendo a política de seu antecessor, George W. Bush, que buscava um maior envolvimento da China nos assuntos globais. Em troca, Washington espera atitudes responsáveis de Pequim em temas como economia global e os programas nucleares de Irã e Coreia do Norte.

Um dos efeitos dessa abordagem foi a decisão, tomada na cúpula do G20 em Pittsburgh, de que esse seja o principal fórum para a discussão de questões econômicas globais, substituindo o G8, do qual a China não participava.

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