Obama viaja ao Golfo e mantém pressão sobre British Petroleum

A British Petroleum (BP) relatou progressos nesta sexta-feira em sua luta para tampar o vazamento de petróleo no Golfo do México, mas o presidente Barack Obama alertou que não há uma "bala de prata", ou seja, uma solução mágica para o maior vazamento de petróleo na história dos Estados Unidos.

PATRICIA ZENGERLE, REUTERS

28 Maio 2010 | 20h22

Tentando demonstrar liderança diante das crescentes críticas à atuação do governo, Obama foi nesta sexta-feira à costa da Louisiana, onde o petróleo já invadiu alguns delicados manguezais e interditou importantes zonas pesqueiras.

Moradores se queixaram com estridência da demora das autoridades federais em agir e da pouca assistência oferecida. A Casa Branca nega veementemente as duas acusações, assegurando ter montado a maior operação de resposta da história.

"Vocês não serão abandonados. Vocês não serão deixados para trás. Estamos ao seu lado, e vamos ver isso passar", disse Obama em declarações transmitidas pela TV, após se reunir com autoridades locais e estaduais e inspecionar os danos causados pelo petróleo no litoral.

"Eu sou o presidente, e a responsabilidade vem até mim."

O executivo-chefe da BP, Tony Hayward, disse à Reuters que a tentativa de "sufocar" o vazamento com lama está progredindo, mas que seu sucesso só poderá ser avaliado após mais 48 horas de trabalho.

"Já o derrubamos, mas ainda não pudemos colocar uma bala na cabeça", disse Hayward.

O vazamento no poço de petróleo começou em 20 de abril quando uma plataforma de exploração marítima no local explodiu e naufragou, deixando 11 mortos. Milhões de litros de petróleo jorraram no Golfo do México desde então.

Hayward manteve em 60 a 70 por cento as suas estimativas sobre as chances de sucesso da operação, e informou que a BP agora está colocando materiais sólidos, como tiras de borracha e bolas de golfe, para tentar "entupir" o poço. A lama jogada desde quarta-feira não conteve o vazamento, mas em alguns momentos reduziu o fluxo.

Se a tática chamada de "top kill" não funcionar, a BP deve tentar novamente desviar o petróleo para canos até a superfície, enquanto cava poços auxiliares que permitam consertar o poço danificado.

Obama disse que cientistas do governo também estão avaliando as opções.

"Não haverá balas de prata ou um monte de respostas perfeitas para alguns dos desafios que enfrentamos", disse ele. "Esta é uma catástrofe produzida pelo homem que ainda está evoluindo."

As pesquisas mostram que muitos norte-americanos estão descontentes com a forma como o governo geriu a crise. Essa foi a segunda viagem de Obama à região desde o acidente.

(Reportagem adicional de Ed Stoddard, em Venice; de Tom Bergin e Kristen Hays, em Houston; de Jeremy Pelofsky, Matt Spetalnick, Alister Bull e Caren Bohan, em Washington; e de Pascal Fletcher e Jane Sutton, em Miami)

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