Obama visita a CIA depois de liberar memorandos sobre tortura

Objetivo é manifestar apoio à agência, mesmo depois da divulgação dos documentos sobre abuso de detentos

AP,

20 de abril de 2009 | 15h27

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visita a sede da CIA nesta segunda-feira, 20, num gesto claramente planejado para tranquilizar a agência de espionagem, depois da liberação de memorandos sobre tortura produzidos durante a administração de seu antecessor.

 

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Obama vem rejeitando repetidamente políticas aprovadas pelo ex-presidente George W. Bush, cujo governo engajou-se no que era chamado de "técnicas avançadas de interrogatório" de suspeitos de terrorismo, incluindo a prática de simular afogamento. Essas ações eram executadas com base em pareceres jurídicos do Departamento de Justiça do governo Bush. 

 

Diversos blogueiros destacaram um memorando que diz que o agente da Al-Qaeda Khalid Sheikh Mohammed foi submetido a afogamento simulado 183 vezes, enquanto que o suspeito de terrorismo Abu Zubaydah passou pelo procedimento 83 vezes. "Isso não me parece muito eficiente", escreveu Marcy Wheeler, do blog Empywheel.

 

A visita de Obama à agência foi planejada para mostrar apoio à CIA depois da liberação dos memorandos, que veio acompanhada da mensagem de que "é nossa intenção garantir que aqueles que executaram seu dever baseando-se, de boa-fé, em pareceres legais do Departamento de Justiça, não serão submetidos a processos". Ele não fez nenhuma promessa direta, no entanto, aos criadores   dessas políticas.

 

A decisão de não punir os interrogadores foi criticada pela União Americana das Liberdades Civis e classificada como ilegal pelo principal investigador de tortura das Nações Unidas.

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