Oficial da cúpula de Bush admite tortura em Guantánamo

Funcionária afirma que preso saudita sofreu agressões abusivas; presidente diz que prática não foi aplicada

Reuters,

14 de janeiro de 2009 | 11h18

A funcionária do Pentágono que supervisiona os tribunais para os detidos na prisão de Guantánamo concluiu que o Exército torturou um cidadão saudita que supostamente planejou participar dos ataques de 11/03 como o "20.º sequestrador" de um dos aviões. "Torturamos (Mohammed al-) Qahtani" afirmou ao Washington Post Susan Crawford. "Seu tratamento se enquadra na definição legal de tortura". Qahtani é um dos seis homens acusados em fevereiro de 2008 de assassinato e crimes de guerra por seus papéis no 11/09. Porém, em maio, Susan decidiu retirar as acusações de crime de guerra contra o saudita, que era mantido preso na prisão militar americana de Guantánamo, em Cuba. A juíza aposentada, que também trabalho no governo do ex-presidente Ronald Reagan, é o primeiro funcionário de alto escalão do governo do presidente George W. Bush responsável por revisar as práticas na prisão que declara publicamente que um detido foi torturado. Tanto Bush como o vice-presidente Dick Cheney disseram anteriormente que os EUA não praticam tortura. Susan disse ao Post que as técnicas de interrogatório usadas no caso de Qahtani foram autorizadas, mas foram aplicadas de maneira abertamente agressiva e persistente. "Não se tratou de um ato particular, foi uma combinação de coisas que tiveram impacto médico, que causaram danos na saúde. Foi abusivo e desnecessário. E coercitivo. Claramente coercitivo. Foi esse impacto médico que me levou" a qualificá-lo como tortura, afirmou.  O porta-voz do Pentágono Geoff Morrell afirmou ao jornal em e-mail que as revisões da agência sobre o interrogatório do saudita concluíram que os métodos usados foram considerados legais no momento da aplicação. A entrada de Qahtani nos EUA foi negada um mês antes dos ataques de 11/09, e ele é acusado de ter participação no plano dos atentados como um dos sequestradores que participariam da ação. Ele foi capturado em 2002 no Afeganistão e transportado para Guantánamo. Susan afirmou que Bush estava certo ao criar um sistema diferenciado para julgar combatentes inimigos ilegais capturados na guerra contra o terrorismo, mas que a implementação dos tribunais militares foi defeituosa. Está previsto que o presidente eleito Barack Obama, que assume o cargo na semana que vem, emita uma ordem executiva assim que tomar posse para fechar a prisão de Guantánamo. O secretário de Defesa de Bush e que será mantido por Obama, Robert Gates, também é a favor do fechamento.

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