ONG dos EUA vincula movimento Tea Party a grupos racistas

Relatório aponta relações entre membros do grupo conservador e entidades segregacionistas

Efe,

20 de outubro de 2010 | 19h36

WASHINGTON- A Associação nacional para o Avanço de Pessoas de Cor (NAACP), publicou nesta quarta-feira, 20, um documento que detalha "os laços entre certas facções do Tea Party (movimento popular conservador dos EUA) e grupos racistas".

 

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O presidente da organização, Benjamin Jealous, apresentou em uma conferência por telefone o informe titulado "O Nacionalismo do Tea Party", realizado durante o ano passado.

 

O relatório foi divulgado a poucas semanas das eleições legislativas protagonizadas pelo aumento da força do Tea Party, que venceu várias primárias do Partido Republicano.

 

Ele investiga seis dos principais grupos que formam a força conservadora que defende valores como a responsabilidade fiscal e a pouca interferência do governo na economia.

 

O documento indica supostas ameaças de morte ao presidente do NACCP por parte de Mark Williams, que presidiu o Tea Party Express, mas foi expulso da federação do movimento por seus comentários racistas.

 

A organização também cita as relações de Billy Joe Roper, fundador da organização nacionalista branca White Revolution e membro do ResistNet Tea Party, que, segundo o informe, exalta o nazismo ao elogiar William Pierce, fundador do Partido Nazista nos EUA.

 

Outros dos "perfis problemáticos" de membros do movimento são Roan Garcia-Quintana, da facção do Tea Party da Carolina do Sul e suposto membro do Conselho de Cidadãos Conservadores, "descendente direto" dos conselhos de brancos que defendiam as leis de segregação racial.

 

Karen Pack, do Tea Party do Texas, é relacionado ao Ku Klux Klan, grupo racista dos EUA notório no século XIX. Clay Doublas, do Tea Party do Arizona, estimularia "um duro antissemitismo" e milícias paramilitares que conspiram para derrubar o governo.

 

Outro dos investigados é Larry Pratt, da Virgínia, membro do Tea Party Nation e do 1776 Tea Party, que teria promovido os movimentos de milícia durante anos, e participado de um ato de ex-membros do Ku Kluk Klan em 1992.

 

Sem problemas

 

Jealous disse que sua organização "não tem nenhum problema com a existência do tea Party", mas sim "quando membros proeminentes têm permitido usar os atos do Tea Party para recrutar gente para grupos que advogam pela supremacia dos brancos".

 

Em julho, a NAACP já havia condenado o "racismo" do Tea Party, o que provocou uma troca de acusações entre as duas entidades, já que a segunda defende que não existe nenhum tipo de ódio em suas bases.

 

Na introdução do relatório, Jealous pressiona as direções dos diferentes grupos do Tea Party a promover a diversidade entre seus integrantes.

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