ONG pede julgamento de terroristas em tribunais civis

Human Rights First diz que fóruns mostraram que podem operar sem que haja vazamento de dados secretos

Efe,

28 de maio de 2008 | 16h53

A organização de direitos humanos Human Rights First disse nesta quarta-feira, 28, que o governo americano deveria usar o sistema judiciário civil para processar supostos terroristas. Para a ONG, os tribunais demonstraram que podem operar sem que haja divulgação de informações secretas. Veja também:Anistia condena '60 anos de fracasso' em direitos humanos Em um relatório sobre o tema, a organização destacou as vantagens dos Tribunais Federais frente ao sistema alternativo de Justiça Militar, com regras especiais, criado pelo Governo do presidente George W. Bush para julgar os detidos na base de Guantánamo (Cuba). "Em muitos casos, o sistema de Justiça penal pode ser um fórum viável e eficiente para os julgamentos", afirmou em entrevista coletiva James Benjamin, um ex-promotor de Nova York que foi um dos autores do relatório. Outros casos poderiam ser canalizados dentro do sistema de Justiça Militar ordinário, segundo Benjamin. Tanto o candidato republicano à Presidência, John McCain, quanto os pré-candidatos democratas, Barack Obama e Hillary Clinton, disseram que fecharão a prisão de Guantánamo. Já Richard Zabel, o outro autor do relatório, reconheceu que, na hora de julgar os detidos nos tribunais federais dos Estados Unidos, "pode haver complicações, dependendo de como foram tratados". "Seus advogados poderiam alegar que pelo tratamento recebido, os acusados não têm condições de participar de sua própria defesa", explicou Zabel. Mesmo assim, enfatizou que "há muitos benefícios na realização de julgamentos públicos, que mostrem ao mundo as evidências existente contra eles." O governo Bush não atendeu a estas apelações, e segue adiante com os processos de alguns dos prisioneiros em Tribunais Militares especiais estabelecidos em Guantánamo. Em 5 de junho, será julgado nesta instância Khalid Sheikh Mohammed, acusado pelos Estados Unidos de ser o cérebro dos atentados de 11-9. Será sua primeira aparição pública desde sua captura no Paquistão, há cinco anos.

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