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ONU aprova resolução contra proliferação nuclear

Em encontro histórico, Obama dá impulso a uma de suas principais propostas para a política internacional

estadao.com.br,

24 de setembro de 2009 | 11h43

O Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas aprovou nesta quinta-feira, 24, uma resolução com o fim de conter a disseminação das armas nucleares no mundo. O conselho, com cinco membros permanentes e dez rotativos, passou a medida por unanimidade em uma sessão sem precedentes. Pela primeira vez, um encontro do grupo foi comandado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

 

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O encontro desta quinta-feira ocorre uma semana antes de os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França - mais a Alemanha, reunirem-se com o principal negociador nuclear do Irã, Saeed Jalili, em 1º de outubro. Obama, que fez da luta contra a proliferação um dos eixos de sua política externa e lançou uma proposta para, no futuro, conseguir um mundo sem armas nucleares, disse ao conselho que o próximo ano será decisivo para tentar controlar as armas atômicas no mundo. "Os próximos 12 meses serão absolutamente decisivos em determinar se essa resolução e nossos esforços para interromper a disseminação e o uso das armas nucleares terá sucesso".

Em um breve discurso no começo do encontro, o primeiro deste tipo liderado por um presidente americano, Obama disse que, diante dos países que insistem em buscar armamento nuclear, a comunidade internacional deve responder em uma única voz. "Devemos mostrar que o direito internacional não é uma promessa vazia e que o mundo responderá às ameaças", disse Obama.

Obama lembrou que Washington está em negociações para assinar um novo tratado de redução de ogivas nucleares com a Rússia.

Além disso, Obama acrescentou que seu país busca a ratificação do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares, assinado por 148 nações, mas que só entrará em vigor se for assinado por EUA, China, Índia, Indonésia, Paquistão, Israel, Egito e Coreia do Norte. "Não temos ilusões sobre a dificuldade de conseguir um mundo sem armas nucleares", disse Obama, acrescentando que, apesar de tudo, "o mundo entende que não há diferença ou divisão que mereça destruir tudo o que construímos e tudo o que amamos".

 

A Resolução 1887 pede aos Estados que não firmaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) que "cumpram totalmente com suas obrigações". O TNP deve ser revisto em uma conferência no ano que vem. O texto aprovado não estabelece uma diferença direta para países como Irã e Coreia do Norte, mas aponta para outras resoluções do Conselho que pedem que Teerã interrompa suas ações com combustíveis nucleares e que Pyongyang desmantele todo seu programa nuclear.

 

A resolução pede que as nações cooperem, a fim de que a conferência de revisão do TNP possa de fato fortalecer o tratado e "estabelecer metas realistas e factíveis", em temas como não-proliferação, usos pacíficos da energia nuclear e desarmamento. O texto pede ainda que os países que não fazem parte do TNP revejam sua posição, a fim de que o tratado possa em breve abarcar o mundo todo.

 

Esta foi a quinta vez que o Conselho de Segurança reuniu os chefes de Estado participantes desde que foi fundado, em 1946. Além disso, a cúpula ainda foi a primeira a focar exclusivamente em proliferação nuclear e desarmamento. Todos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França - têm bombas nucleares.

 

Várias nações, entre elas EUA e Israel, afirmam que Teerã possui um programa secreto para produção de armas nucleares. O governo iraniano, porém, afirma que apenas tem fins pacíficos, como a produção de energia. O país já foi alvo de sanções do CS por se recusar a interromper as atividades consideradas suspeitas e atrapalhar o trabalho internacional de monitoramento.

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