ONU pede ao Quirguistão que controle violência étnica

A ONU exortou as autoridades do Quirguistão nesta terça-feira a impedir que a violência étnica se espalhe além de suas fronteiras, e informou que o número de refugiados deve em breve ultrapassar os 100 mil.

DMITRY SOLOVYOV, REUTERS

15 de junho de 2010 | 12h28

Pelo menos 170 pessoas morreram nas cidades de Osh e Jalalabad, nos piores conflitos étnicos em 20 anos nesta ex-república soviética. Testemunhas disseram que gangues armadas com rifles automáticos, barras de ferro e facões incendiaram casas e alvejaram moradores que fugiam.

Os confrontos começaram na noite de quinta-feira e se agravaram no fim de semana. A instabilidade nesse país volátil, mas estratégico, preocupa os EUA e a Rússia, que têm bases militares no Quirguistão.

Analistas dizem que a instauração do caos no sul do Quirguistão poderia ajudar militantes islâmicos da região que se financiam com o tráfico de drogas.

A presidente interina do país, Roza Otunbayeva, disse que o principal bloco de segurança da região, a Organização do Tratado da Segurança Coletiva, liderada por Moscou, não terá como atender ao pedido quirguiz para o envio imediato de tropas de paz.

Miroslav Jenca, enviado especial da ONU, disse que o Quirguistão deve tomar todas as medidas possíveis para evitar que a violência se espalhe para outras ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, uma vasta região muçulmana ao norte do Afeganistão e Irã.

"A tarefa mais importante agora é conter o derramamento de sangue," disse Jenca a jornalistas. "Este conflito deveria ser localizado."

A alta comissária da ONU para refugiados, Navi Pillay, exortou as autoridades locais e nacionais que tomem "ações rápidas e decisivas" para proteger os cidadãos, independentemente da sua origem étnica.

"Parece que assassinatos indiscriminados, inclusive de crianças, e estupros têm ocorrido com base na etnia," disse ela em comunicado na noite de segunda-feira.

Lynn Pascoe, Secretário-Geral Adjunto para os Assuntos Políticos da ONU, propôs a criação urgente de um corredor humanitário para levar ajuda às vítimas da violência.

Um repórter da Reuters disse que a situação em Osh aparentemente era calma na terça-feira.

Mas o governo interino que assumiu o poder em abril, após a rebelião popular que derrubou o presidente, se prepara para a chegada da violência à capital, Bíshkek, e a uma outra região do norte, separada por montanhas do populoso sul do país.

O governo acusa seguidores do presidente deposto, Kurmanbek Bakiyev, de alimentarem o conflito étnico. Bakiyev, exilado em Belarus, nega.

Almazbek Atambayev, vice-líder do governo provisório, qualificou a violência em Osh de premeditada e disse que atos provocativos são esperados também nas regiões de Chui e Bíshkek. "Mas estamos bem preparados para isso," afirmou.

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