Oposição da Geórgia cobra esclarecimento sobre conflito

Depois da retirada dos tanques russos,os líderes da Geórgia vão se deparar com perguntas difíceis arespeito da "trágica" situação em que se encontra o país,afirmou na segunda-feira uma figura importante da oposiçãogeorgiana. Nino Burjanadze, ex-presidente do Parlamento, disse àReuters que era fundamental haver união no período de guerra.No entanto, observou que, depois da retirada russa, deveria serrealizada uma análise completa "sobre o que aconteceu e sobrepor que aconteceu". "As mães georgianas são muito corajosas e estão prontaspara fazer com que seus filhos defendam o país", afirmouBurjanadze, que, em 2003, liderou a "Revolução Rosa" da Geórgiajunto do atual presidente da nação, Mikheil Saakashvili. "Mas as mães georgianas, como todas as mães do mundo, têm odireito de saber por que eles estão fazendo isso", disse. "Receio que não será muito fácil para o governo responder aessas perguntas." Os comentários de Burjanadze parecem com aqueles vindos deoutros dois líderes da oposição e indicam os desafios com quese defrontará Saakashvili quando o patriotismo der lugar à durarealidade da derrota militar, da invasão e da queda deinfluência sobre a Ossétia do Sul e a Abkházia. Os soldados georgianos foram obrigados a sair das duasregiões separatistas na semana passada em vista da enormecontra-ofensiva lançada pela Rússia na Ossétia do Sul. Centenas de pessoas foram mortas e milhares fugiram de suascasas. Saakashvili havia iniciado um ataque para retomar ocontrole sobre a capital daquela região, Tskhinvali. Noentanto, viu-se surpreendido pela intensidade da respostarussa. A ofensiva abalou a economia e o sistema de transporte daGeórgia, além de, talvez, ter acabado com suas esperanças deingressar na Organização do Tratado do Atlântico Note (Otan). Na segunda-feira, apesar de uma promessa de se retirarem,soldados russos continuavam ocupando partes da Geórgia. (Reportagem adicional de Niko Mchedishvili)

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