Pagamento a assessor de Obama levanta questionamentos sobre Irã

Um dos assessores mais próximos do presidente dos EUA, Barack Obama, recebeu 100.000 dólares de uma empresa que fazia negócios com o Irã pouco antes de se juntar à equipe da Casa Branca, informou o Washington Post nesta segunda-feira, aumentando os questionamentos a Obama quanto ao Irã, num ano eleitoral.

LAURA MACINNIS, Reuters

06 de agosto de 2012 | 15h01

O conselheiro sênior da Casa Branca, David Plouffe, recebeu o valor do maior operador de telefonia celular da África, a MTN Group, por dois discursos que ele fez na Nigéria, em dezembro de 2010, confirmaram funcionários da empresa e do governo.

Plouffe listou esse pagamento com muitos outros em seus balanços financeiros oficiais depois que entrou para a Casa Branca, em janeiro de 2011. Uma subsidiária da MTN é uma das principais acionistas da Irancell, uma importante operadora de telecomunicações ligada ao governo do Irã.

Embora não haja nenhuma sugestão de que Plouffe violou qualquer lei ou regulamento, a divulgação já expôs a Casa Branca ao ataque de adversários republicanos.

Plouffe gerenciou a campanha presidencial de Obama em 2008 e tem sido um agente importante nos bastidores da campanha de 2012, onde os esforços da Casa Branca para impedir o Irã de obter uma arma nuclear têm sido criticados pelo pré-candidato republicano, Mitt Romney.

É comum insiders de Washington obterem lucrativas ganhos por palestras durante e depois de serviços para o governo. Mas os republicanos disseram que o trabalho da MTN no Irã por meio da Irancell tornava os discursos na Nigéria decisões ruins.

"A história de hoje levanta questões sérias", afirmou Kirsten Kukowski, porta-voz do Comitê Nacional Republicano. "David Plouffe pode ser o maior obstáculo nas sanções da comunidade internacional contra o Irã."

O porta-voz da Casa Branca Eric Schultz disse que Plouffe falou à MTN sobre tecnologia móvel e comunicações digitais, sem relação com o Irã, e não se encontrou separadamente com a liderança da empresa.

"Na época, nem mesmo o grupo de fiscalização mais zeloso sobre esta questão tinha como alvo os interesses das empresas iranianas na empresa holding do anfitrião. As críticas a Plouffe agora sobre questões e controvérsias que se desenvolveram apenas anos mais tarde são simplesmente equivocadas", disse ele.

A MTN negou violar quaisquer sanções relacionadas ao Irã, onde de acordo com o site da empresa tem quase 35 milhões de assinantes. O porta-voz da MTN, Paul Norman, disse que Plouffe foi convidado a falar "por causa de sua experiência e seu conhecimento da cena política dos EUA".

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