Países europeus estudam acolher detentos de Guantánamo

EUA temem que alguns prisioneiros, incluindo chineses, sofram tortura em seus países de forem repatriados

Agências Internacionais,

23 de dezembro de 2008 | 11h30

Ao mesmo tempo em que a China exige que sejam repatriados os cidadãos chineses detidos na prisão mantida pelos Estados Unidos em Guantánamo, Cuba, países europeus iniciam discussões para acolher prisioneiros da base que os EUA temem devolver a seus países de origem, pelo risco de que sejam torturados por seus governos. Os 17 chineses, muçulmanos de etnia uigur, são tidos como terroristas por Pequim e estão entre os considerados de risco.   Segundo o jornal The Washington Post, a disposição dos europeus em receber os prisioneiros que correm risco de tortura representa uma mudança importante na atitude dos governos do Velho Mundo. Repetidos pedidos do governo Bush para que os detentos fossem acolhidos na Europa só encontraram recusas. Ao Post, o coordenador de cooperação gemano-americana do governo alemão, Karsten Vogt, disse que o governo Bush "criou o problema". "Com Obama, a diferença é que ele está tentando resolvê-lo".   Obama disse que pretende fechar a prisão de Guantánamo assim que tomar posse, em janeiro, decisão que poderá levar á libertação de alguns detentos e ao julgamento de outros na Justiça dos Estados Unidos.   "O governo chinês sempre quis que esses prisioneiros fossem repatriados para a China. Somos contra que qualquer país os receba", disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Qin Gang.   Os 17 chineses foram liberados em Guantánamo, mas Washington teme que sofram maus-tratos ao voltar à China. Outros países têm receio da reação chinesa, caso aceitem dar refúgio aos uigures.   A Albânia aceitou acolher cinco uigures em 2006, mas desde então não aceitou mais nenhum. Portugal se ofereceu para receber detentos de Guantánamo, mas não houve uma oferta concreta.   Cerca de 50 dos 250 detentos que permanecem em Guantánamo correm perigo de tortura se forem devolvidos a países como China, Argélia e Síria, dizem grupos de defesa dos direitos humanos. Os EUA citam a falta de opção de assentamento para os detentos como um obstáculo ao esvaziamento da prisão.

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