Para 73%, Estados Unidos estão no caminho errado, aponta pesquisa

Quase metade dos americanos ainda acredita que situação vai piorar nos próximos meses

Reuters

10 de agosto de 2011 | 18h52

WASHINGTON - Os temores econômicos estão atingindo em cheio os americanos, e uma ampla maioria deles acha que os Estados Unidos estão num mau caminho, enquanto quase metade acredita que o pior ainda está por vir, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na quarta-feira, 10.

A pesquisa reflete a crescente ansiedade com a economia dos EUA, num período em que o país escapou por pouco de declarar moratória, e a agência Standard & Poor's rebaixou pela primeira vez a nota de crédito do governo americano. As bolsas despencaram, e o desemprego se mantém teimosamente em 9,1%.

Na pesquisa Reuters/Ipsos, 73% dos americanos acreditam que os EUA estão "no caminho errado", e apenas 21% acham o contrário. Para 47%, "o pior ainda está por vir" - um aumento de 13 pontos percentuais em relação a um ano atrás, quando essa questão foi apresentada pela última vez. O auge desse pessimismo foi em março de 2009, no auge da recessão, quando 57% achavam que a situação ainda iria piorar.

Em um mês, a taxa de aprovação a Obama caiu de 49% para 45%, segundo a pesquisa realizada entre os dias 4 e 8 de agosto. O pior desempenho do antecessor dele, George W. Bush, numa pesquisa do Gallup foi de 46%, no ano da sua reeleição (2004).

Mas Julia Clark, especialista em pesquisas do instituto Ipsos, disse que o descontentamento se direciona contra ambos os partidos, e que os resultados "não servem como indicador" do desempenho eleitoral do presidente no ano que vem. Segundo ela, a situação só fica perigosa para um presidente quando sua aprovação cai abaixo de 40%.

Os republicanos parecem ter sido os mais prejudicados pelas dramáticas negociações da dívida. Depois do acordo, 49% dos entrevistados disseram ter uma imagem negativa do partido da oposição, e 42% afirmaram o mesmo com relação ao movimento conservador republicano Tea Party, que insistia em reduzir o déficit apenas com cortes de gastos, sem aumentar impostos, mesmo que isso levasse os EUA à moratória.

Já o Partido Democrata saiu do episódio com uma imagem negativa junto a 40% dos entrevistados. O próprio Obama foi visto negativamente por 42% na questão da negociação da dívida, enquanto o presidente da Câmara, John Boehner, teve sua imagem arranhada para 37% dos entrevistados.

O acordo em si foi considerado ruim por 53% dos entrevistados, e aprovado por apenas 38%. A reprovação foi maior entre os eleitores republicanos (63%) do que entre independentes (53%) e democratas (45%).

Sobre a melhor forma de estimular o crescimento econômico, as respostas mais frequentes foram "cortando gastos públicos" (49%), "taxando os ricos" (46%) e "investindo em infraestrutura" (34%).

A pesquisa ouviu 1.055 adultos, sendo 885 eleitores registrados. A margem de erro foi de 3 pontos percentuais no total da amostra.

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