Para alguns em NY, Sandy representou dividir cama ou caminhar no escuro

Os trabalhadores que permaneceram até tarde na segunda-feira e mantiveram partes de Nova York funcionando, enquanto o furacão Sandy provocava uma paralisação geral na cidade, enfrentaram um dilema: caminhar em meio aos perigos para casa ou encontrar um espaço para dormir.

LUCIANA LO, Reuters

31 de outubro de 2012 | 07h57

Antes da chegada da tempestade ao continente, os serviços de metrô e ônibus foram suspensos, os táxis eram escassos e as pontes e túneis ficaram fechados. Dessa forma, surgiu a pergunta: como os trabalhadores vão voltar para casa?

Numa pizzaria na Broadway perto do Columbus Circle, Saleh Mohammad, de 32 anos, trabalhou até 18h na segunda-feira -- menos de duas horas antes da chegada da tempestade.

"Foi uma longa caminhada", disse ele sobre o trajeto a pé até sua casa, descrevendo como "assustador" ter que andar pelas ruas em grande parte vazias e escuras.

O Epstein's Bar no Lower East Side ficou aberto, de acordo com o gerente Sean Maguire. Alguns funcionários vivem nas proximidades e Maguire reservou um quarto de hotel para os dois funcionários da cozinha que normalmente teriam que pegar ônibus ou metrô para voltar para casa, no Queens.

O Ellen's Stardust Diner, no distrito dos teatros da Broadway, conhecido por sua equipe de garçonetes cantoras, manteve as portas abertas até cerca de 23h, disse Grace Wall, uma atendente do restaurante, acrescentando que o local estava cheio de turistas.

O gerente alugou um carro e levou alguns funcionários para casa, e "as garçonetes ficaram no meu apartamento", disse Wall.

Incluindo suas duas companheiras de quarto, que também trabalham no restaurante, havia sete pessoas no "minúsculo" espaço: duas em cada cama e uma no sofá, disse Wall.

"Honestamente, nós continuamos fazendo piada -- eu sei que é mórbido, mas ficava dizendo: 'Bem, se nós estamos caindo, esta é a melhor maneira de cair, fazendo uma grande festa."

O prefeito de NY, Michael Bloomberg, disse que pode demorar de quatro a cinco dias até que o serviço de metrô volte a operar. Cerca de 5,3 milhões de pessoas usam o sistema de metrô da cidade em dias de semana.

Um serviço de ônibus modificado voltou a operar na terça à tarde e a cidade espera ter os ônibus regularizados nesta quarta.

Com a Lower Manhattan sem eletricidade após uma explosão em uma estação de energia da Consolidated Edison na Rua 14, alguns trabalhadores tiveram de caminhar por ruas escuras.

Muitas empresas disseram que tentaram ficar abertas enquanto podiam, levando em conta as necessidades de transporte dos funcionários. A Verizon Wireless decidiu caso a caso quais lojas ficariam abertas o maior tempo possível, disse a porta-voz Andrea Kimmet.

Como os funcionários fariam para ir e voltar foi levado em conta. "Se pudéssemos ficar abertos, ficaríamos, com base em como a tempestade estava seguindo", disse.

Em alguns casos, ficar em casa não era uma opção. A prefeitura deixou pouco espaço de manobra para os servidores públicos.

Ray Reigadas trabalha no departamento de registros da cidade. No domingo, Reigadas recebeu um email dizendo que deveria fazer todo o esforço para chegar ao escritório -- ou teria que tirar um dia de folga para compensar a ausência.

"Fomos basicamente forçados a tirar dias de férias por causa de um furacão", disse ele. "Nada do que eu faço tem a ver com a recuperação de desastres."

Tudo o que sabemos sobre:
EUATEMPESTADENY*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.