Para Bush, mudanças em Cuba são insuficientes

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, acusou na quarta-feira o novo líder cubano,Raúl Castro, de fazer apenas reformas cosméticas, autorizandopor exemplo o consumo de produtos eletrônicos, mas semimplantar a democracia. "O regime fez gestos vazios de reforma, mas Cuba continuagovernada pelo mesmo grupo que oprime o povo cubano há quasemeio século", disse Bush em discurso ao Conselho das Américas,um grupo internacional de empresários. Bush afirmou ter conversado na terça-feira porvideoconferência com três importantes dissidentes de Havana. "Até que haja uma mudança de coração e uma mudança decompaixão, e uma mudança de como o governo cubano trata seupovo, não há mudança nenhuma", afirmou. Bush reiterou que os EUA manterão o embargo a Cuba até quehaja eleições livres e limpas, que os presos políticos sejamlibertados e que os direitos humanos sejam respeitados. Em discurso no mesmo evento, a secretária de EstadoCondoleezza Rice disse que Cuba precisa retirar o "fator medo"da vida política local. "O regime cubano deve demonstrar quetem confiança em si e no seu povo, de modo a deixar de usar apolícia secreta para controlar o discurso político", declarou. Efetivado em fevereiro no cargo de presidente, emsubstituição a seu irmão Fidel Castro, Raúl enfrenta as mesmascríticas que marcaram as últimas décadas das relações entreWashington e Havana. Desde que foi eleito, Raúl promoveu algumas reformastímidas, como permitir a venda de celulares, DVDs ecomputadores à população. "Cuba não se tornará um lugar de prosperidade apenas poratenuar restrições na venda de produtos que o cubano médio nãopode comprar. Os governantes de Cuba devem iniciar um processode mudança democrática", disse Bush. Cuba acusa os EUA de interferirem em seus assuntosdomésticos e de tentarem subverter o regime comunista. Bush também repetiu seu apelo para que o Congresso aproveum tratado de livre-comércio com a Colômbia, o que segundo elepromoveria os interesses comerciais norte-americanos na AméricaLatina. O Congresso, controlado pela oposição democrata, reluta emaprovar o acordo, pois exige como contrapartida mais garantiastrabalhistas na Colômbia e medidas para evitar a fuga de postosde trabalho. "Os líderes parlamentares precisam passar o recado de queapoiamos este bravo e corajoso líder [o colombiano ÁlvaroUribe], e que não daremos as costas a um dos nossos aliadosmais resolutos."

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