Para especialista, EUA ainda não superaram medo do 11/9

Americanos perderam noção de segurança, diz professora; 'país não está a salvo de outro atentado'

Gabriel Pinheiro, do estadao.com.br,

11 de setembro de 2008 | 00h10

A sociedade americana ainda tem dificuldade em lidar com o sentimento de medo e vulnerabilidade gerados após os atentados de 11 de setembro de 2001. A conclusão é da professora de Relações Internacionais da Unesp Cristina Pecequilo, especialista em política americana. Para ela, a grande mudança nos EUA depois dos ataques, que completam sete anos nesta quinta-feira, 11, foi a perda da noção de segurança sobre seu próprio território.   Veja também: Al-Qaeda transforma-se em 'franquia' ideológica Al-Qaeda perde foco e apoio no mundo islâmico Veja a linha do tempo dos ataques terroristas    "Havia no imaginário do povo americano a idéia de que eles nunca seriam atingidos. A partir de 11/9, essa ilusão caiu por terra e se percebeu que os Estados Unidos, apesar de todo poderio militar, eram vulneráveis", aponta Cristina.   Somando as vítimas em Nova York, Washington e Pensilvânia, os atentados deixaram quase 3 mil mortos. A queda do World Trade Center, localizado no coração econômico do país, e o ataque ao Pentágono levaram o presidente americano George W. Bush a lançar sua "guerra contra o terror". A captura do idealizador do plano, Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda, foi várias vezes prometida pelo presidente, que deixa a Casa Branca em janeiro sem ter cumprido a missão, mas ressaltando que os EUA estiveram protegidos de outros ataques graças a suas medidas de combate ao terror.   Segundo a professora, a prisão do terrorista seria apenas uma questão simbólica. "Bin Laden ultrapassa sua figura humana, ele é um símbolo da contestação", afirma. "Independente do fato de algum dia os EUA conseguir prender a figura (o líder da Al-Qaeda), o terrorismo vai continuar aparecendo sob outras formas", completa.   "Aconteceu a mesma coisa com Saddam Hussein", compara Cristina, explicando que havia o pensamento americano de que ao eliminar o ditador, o Iraque se pacificaria. "Mas, pelo contrário, a violência piorou", acrescenta. "Não é algo pessoal, há uma idéia que o terror propaga que continua se proliferando. Aí está o grande problema."   Novo ataque   De acordo com a professora, a hipótese de um novo atentado em solo americano estará sempre presente. "Prevenir e coibir o terror vem de um processo extremamente longo, dentro e fora de casa", comenta.  O terrorismo "acontece em países como a Espanha e a Inglaterra, onde isso já era uma realidade antes de ocorrer nos EUA, então a possibilidade sempre existe. Não é porque Bush fala que a guerra contra o terror está funcionando que isso significa sua eliminação", indica Cristina.   Incertezas   Para a especialista, ainda há muitas questões a serem respondidas. "Até hoje nós não temos uma real certeza de quem foram os responsáveis desses atentados e de que forma eles foram combinados dentro dos EUA", diz a professora.   "Documentos políticos e da inteligência devem estar sendo produzidos. Ainda teremos que descobrir o que de fato foi o 11 de setembro", diz a especialista, que conclui: "o que a gente vê, é uma coisa; o que ele foi talvez possa ser alguma outra bem diferente."  

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