Para Hillary, Irã deve dar 1.º passo para aproximação com EUA

Secretária de Estado afirma que há 'oportunidade clara' após Obama defender diálogo com país árabe

Agências internacionais,

27 de janeiro de 2009 | 14h49

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira, 27, que há uma "oportunidade clara" para o governo do Irã mostrar que está pronto para "engajar-se significamente" com Washington. Indagada por repórteres sobre a declaração do presidente Barack Obama de que os EUA podem se aproximar do país para uma negociação direta sobre o impasse nuclear, Hillary apontou que os iranianos devem dar o primeiro passo.   Veja também: EUA querem 'diplomacia direta' com o Irã, diz embaixadora Obama escolhe canal árabe para 1ª entrevista na televisão Especial: a ameaça nuclear iraniana    Em sua primeira entrevista televisionada como presidente, concedida a uma televisão árabe, Obama disse acreditar que "é importante que estejamos abertos para negociar com o Irã, para expressar de maneira clara nossas diferenças e descobrir os potenciais caminhos para o progresso. Como eu disse em meu discurso de posse, se países como o Irã quiserem abrir seus punhos, encontrarão nossa mão estendida", afirmou o chefe de Estado.   O impasse nuclear com o Irã pode ser um dos maiores desafios de Obama, testando sua promessa de conversar diretamente com Teerã em lugar da política de isolamento diplomático proposto pelo governo de George W. Bush. Os governos ocidentais acusam Teerã de tentar adquirir armas atômicas sob a sombra de um programa para produzir energia nuclear. O Irã nega as acusações e diz que quer a potência nuclear apenas para gerar eletricidade.   Sobre a Coreia do Norte, outro país visto pelo Ocidente como ameaça nuclear, Hillary afirmou durante sua primeira entrevista coletiva à frente do departamento de Estado que as negociações de seis potências (as duas Coreias, China, Estados Unidos, Japão e Rússia) são "essenciais" para o desarmamento norte-coreano.   Ainda na entrevista, Hillary voltou a defender o direito israelense de Defesa diante do Hamas, argumentando que os ataques de foguetes palestinos contra o Estado judeu não podem ficar sem resposta. "Os ataques que estão chegando cada vez mais perto de áreas populosas (de Israel) não podem ficar sem resposta", destacou a secretária de Estado. "É lamentável que a liderança do Hamas aparentemente acredite que é de interesse deles provocar o direito da autodefesa em vez de construir um futuro melhor para o povo de Gaza."   Hillary, que prometeu uma "nova era" para a política externa americana quando assumiu o cargo na semana passada, afirmou ainda que os EUA "têm muitos anos a reparar" após oito anos do governo de George W. Bush.   Resposta iraniana   Ainda nesta quinta, o Irã pediu à nova administração americana "medidas concretas" que demonstrem a veracidade de sua vontade de mudança. "Em diversas ocasiões, nosso presidente (Mahmoud Ahmadinejad) definiu qual é a posição do Irã e assinalou a necessidade de uma mudança na política dos Estados Unidos. Agora esperamos medidas concretas da Casa Branca", disse o porta-voz do governo iraniano, Gholam-Hossein Elham, à agência Isna.   (Matéria atualizada às 19h20)

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