Larry Downing/Reuters
Larry Downing/Reuters

Para Obama, guerra no Afeganistão 'vale a pena'

Presidente promete reforçar segurança para realização da eleição presidencial afegãs na próxima quinta-feira

Efe e Reuters,

17 de agosto de 2009 | 15h42

O presidente dos EUA, Barack Obama, alertou nesta segunda-feira, 17, que a guerra contra o Taleban no Afeganistão não será rápida nem fácil, mas insistiu que a vitória será fundamental para a segurança americana e que é "uma guerra que valia a pena ser travada". Presidente discursou para aumentar o apoio da população norta-americana antes de uma importante eleição no país asiático esta semana.

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"A insurgência no Afeganistão não apareceu da noite para o dia e não a derrotaremos rapidamente", disse o presidente em uma convenção de veteranos do Exército em Phoenix, Arizona. As palavras de Obama tiveram como objetivo preparar os norte-americanos para o longo percurso. As mortes de soldados em combate aumentaram desde que ele determinou um recrudescimento das tropas para combater o Taleban, e as pesquisas de opinião mostraram uma redução no apoio da população à guerra, que dura oito anos.

 

Obama explicou por que ele acredita que a política para o Afeganistão, lançada este ano, está dando certo e por que os EUA precisam continuar comprometidos em estabilizar o país, devastado pela guerra.

"Essa não é uma guerra por escolha. Essa é uma guerra por necessidade", afirmou Obama. "Os que atacaram os Estados Unidos em 11 de setembro estão tramando fazer isso de novo. Se deixada fora de controle, a insurgência no Taleban acarretará um lugar ainda mais seguro de onde a Al Qaeda planejará matar mais americanos."

 

"Portanto, essa não é apenas uma guerra que vale a pena ser lutada, ela é fundamental para a defesa de nosso povo", afirmou Obama. Desde que assumiu o poder em janeiro, ele mudou o foco da guerra no Iraque, mais impopular ainda, para o Afeganistão, considerado a sua prioridade número 1 em política externa.

Obama insistiu que a ofensiva e a estratégia aprovada em março é uma guerra necessária. "Os que nos atacaram em setembro estão conspirando para nos atacar novamente", afirmou.

O presidente acrescentou ainda que a os EUA conseguiram converter a luta contra a Al-Qaeda e o Taleban em prioridade após a definição de estratégia de retirada do Iraque. Obama se comprometeu a manter o cronograma de saída das unidades de combate para agosto e de todas as tropas até o final de 2011. "Para os EUA, a guerra no Iraque acabará".

Obama também disse que o esforço contra o terrorismo na Ásia Central passa por estratégias militares e diplomáticas. "Não é suficiente matar terroristas. Temos que proteger o povo e melhorar suas vidas", concluiu o presidente, que ainda disse que as forças americanas vão ajudar na segurança das eleições de quinta no Afeganistão. 

 

Obama discursou enquanto os afegãos se preparam para votar na quinta-feira em uma eleição que o Taleban promete tumultuar. O grupo está mais forte do que nunca desde que foi derrubado do poder em 2001. Um teste crucial para a estratégia de Obama será garantir a realização da votação. Este ano, os EUA enviaram 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão.

 

Piada

 

Um helicóptero de última geração projetado para transportar o presidente norte-americano Barack Obama durante um eventual ataque nuclear também serviria para atividades secretas - de culinária. O helicóptero, um dos mais avançados do mundo, foi descartado pelo Pentágono por causa do alto custo. Obama revelou nesta segunda-feira que o aparato teria uma cozinha a bordo.

 

"Entre outras facilidades, ele permitiria que eu cozinhasse durante um ataque nuclear. Deixa eu falar uma coisa: se os Estados Unidos da América estivessem sob um ataque nuclear, a última coisa que passaria pela minha cabeça seria fazer uma boquinha", disse Obama, arrancando risos e aplausos da audiência, composta por militares veteranos.

 

O secretário de Defesa, Robert Gates, cancelou em abril o programa VH-71 da Lockheed Martin para o desenvolvimento do helicóptero. Ele se tornou um símbolo da iniciativa de Obama contra contratos caros de defesa, que segundo ele desperdiçam bilhões de dólares dos contribuintes.

 

O programa seria responsável por substituir a atual frota de helicópteros presidenciais "Marine One", em serviço há uma geração. A princípio, ele deveria incluir 23 helicópteros a um custo de 6,5 bilhões de dólares, mas ele sofreu um atraso de seis anos e o custo estimado disparou para mais de 13 bilhões.

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