Pastor dos EUA diz na TV que não pretende mais queimar o Alcorão

Terry Jones espera reunião com imã em NY, mas não deixou claro se abandonou ideia definitivamente

Reuters

10 de setembro de 2010 | 08h44

Pastor Jones idealizou o 'Dia Internacional da Queima do Corão'.

 

GAINESVILLE - O pastor de uma pequena igreja dos EUA disse nesta sexta-feira, 10, que não planeja queimar exemplares do Alcorão no aniversário dos ataques de 11 de setembro e espera que um imã muçulmano organize uma reunião com os responsáveis pelo projeto de construção de um centro islâmico perto do local dos atentados em Nova York.

 

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"No momento, não temos planos de fazer isso", disse o pastor Terry Jones, de Gainesville, Estado da Flórida, em declaração ao programa "Good Morning America", da TV ABC. "Acreditamos que o imã vai manter sua palavra, o que nos prometeu ontem... Acreditamos que iremos, como ele disse e prometeu, nos reunir com o imã em Nova York."

 

Na quinta-feira, o pastor Jones havia anunciado a suspensão dos planos de queimar os exemplares do Alcorão, mas não havia renunciado completamente à ideia. Agora ele aguarda o encontro com o imã e não deixou claro se os planos foram abandonados definitivamente.

 

Os planos do reverendo para queimar os livros sagrados do Islã no nono aniversário dos atentados terroristas contra o World Trade Center geraram polêmico e tomaram grandes proporções. Até o presidente dos EUA, Barack Obama, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, foram obrigados a se pronunciar pedindo que o pastor abandonasse a ideia.

 

Militares disseram que a ideia colocaria os militares americanos que servem em países muçulmanos em perigo. Obama chegou a dizer que o ato fortaleceria a rede terrorista Al-Qaeda, que esteve por trás dos ataques de 2001.

 

Jones comanda uma igreja pouco conhecida e é autor do livro The Islam is of the Devil (O Islã é do Demônio, em tradução livre). Segundo o pastor, o Alcorão é "maléfico" por expor uma verdade que não é a da Bíblia e incita um comportamento violento entre os muçulmanos. Os islâmicos consideram o Alcorão e todo material que tenha seus versos ou os nomes de Allah e do profeta Maomé como sagrados. Qualquer ação que danifique ou desrespeite o Alcorão é considerada extremamente ofensiva.

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