Reuters/ arquivo
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Pentágono divulgará novas fotos de abuso de prisioneiros

Organização de direitos humanos diz que 44 imagens de tortura no Iraque e no Afeganistão serão publicadas

Agências internacionais,

24 de abril de 2009 | 08h44

O Departamento de Defesa americano vai divulgar um "número significativo" de fotografias de abusos de prisioneiros praticados no Iraque e no Afeganistão sob o governo de George W. Bush, segundo afirmou o grupo de direitos humanos American Civil Liberties Union na quinta-feira, 23.

 

As imagens devem estar disponíveis a partir de 28 de maio, disse a organização, citando uma carta do Departamento de Justiça enviada para um juiz federal de Nova York. A divulgação das fotos é uma resposta à demanda apresentada pelo grupo em 2004 amparada na lei de liberdade de informação e deve incluir 44 imagens de prisões no Iraque e no Afeganistão em outros locais além da prisão de Abu Ghraib, onde soldados americanos foram flagrados praticando maus-tratos contra prisioneiros. Segundo a edição digital da rede MSNBC, o Pentágono publicará até duas mil fotografias, entre elas "várias dúzias" que recolhem abusos a detidos em Guantánamo e em outras prisões militares no Iraque e no Afeganistão.

 

Um número substancial de outras imagens também estão sendo processadas para sua divulgação posterior, assegurou o Departamento de Justiça na carta dirigida à Corte Federal. O advogado da ACLU, Amrit Singh, afirmou que as fotografias "são provas visuais de que o abuso contra prisioneiros por parte do pessoal americano não era exceção, indo além das paredes de Abu Ghraib". As novas imagens "são críticas para ajudar o público a entender a amplitude e a escala do abuso contra os prisioneiros, assim como para responsabilizar altos oficiais por permitir o abuso", afirmou.

 

A prisão americana de Abu Ghraib ganhou notoriedade internacional pelos casos de maus-tratos a prisioneiros sob responsabilidade de autoridades americanas. Os casos chegaram ao conhecimento público com a divulgação de fotos, em 2004, que mostravam internos sendo humilhados sexualmente por militares americanos.

 

As imagens que serão publicadas no final de maio não serão, no entanto, tão "más" como as da prisão iraquiana, mas também não são "boas" para a imagem dos EUA, assinalou um funcionário à MSNBC. Segundo esta fonte, pelo menos uma das fotografias mostra um preso com o rosto voltado para a parede, enquanto guardas aparentemente ameaçam "violentá-lo" com um cabo de vassoura. Outras mostrariam cenas nas quais supostamente presos são intimidados sob a mira de pistolas, de acordo com fontes citadas pelo jornal Los Angeles Times.

 

A notícia da desclassificação das imagens chega depois da publicação na semana passada de quatro documentos nos quais são revelados detalhes sobre práticas coercitivas praticadas a suspeitos de terrorismo em interrogatórios e nos quais advogados do Escritório de Assessoria Legal do Departamento de Justiça justificaram e autorizaram as torturas.

 

Despolitizar casos de tortura

 

O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, disse na véspera que não vai tolerar a criminalização de diferentes políticas referentes aos interrogatórios da CIA. Holder, porém, afirmou que continuará investigando se houve delito durante os interrogatórios de supostos terroristas por agentes de inteligência. "Não permitirei a criminalização de diferentes políticas, mas como secretário de Justiça tenho a responsabilidade de fazer cumprir a lei", disse Holder em depoimento a uma comissão do Congresso. "Se encontrar algum crime, vou investigá-lo."

 

Líderes democratas no Senado, entretanto, afirmaram que resistirão às tentativas de criar uma comissão para investigar a questão. Na semana passada, o presidente dos EUA, Barack Obama, divulgou documentos do governo de George W. Bush sobre as técnicas utilizadas durante interrogatórios após os atentados de 2001.

 

Muitas das práticas foram consideradas tortura e entidades de direitos humanos estão pedindo uma extensa investigação sobre o caso. Obama já disse que os agentes que participaram dos interrogatórios e utilizaram como base os conselhos legais do governo não serão processados. No entanto, ainda existe a possibilidade de que funcionários do governo anterior que tenham colocado em prática os polêmicos métodos de interrogatório sejam processados.

 

Alguns republicanos acusam Obama de querer processar apenas por diferenças políticas entre o governo atual e o anterior. O ex-vice-presidente Dick Cheney pediu a divulgação de outros documentos que provariam que as técnicas utilizadas nos interrogatórios foram úteis para extrair informações valiosas. Holder disse que está disposto a divulgar outros relatórios que tenham sido compilados por instituições ligadas ao Departamento de Justiça.

 

(Com The New York Times)

 

Matéria atualizada às 11h

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