Pentágono diz estar elaborando planos para retirada do Iraque

Em carta enviada à democrata Hillary Clinton, secretário de Defesa afirma que está envolvido com o projeto

Kristin Roberts, REUTERS

26 Julho 2007 | 15h20

O Pentágono está elaborando planos de contingência para uma eventual retirada das tropas norte-americanas do Iraque, afirmou o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, que chamou o plano de "prioridade." Numa carta entregue na terça-feira para a senadora Hillary Clinton, democrata que é pré-candidata à Presidência e que desafiara o Pentágono para saber da existência ou não do plano, Gates disse estar pessoalmente envolvido em sua elaboração. "Pode ter a certeza de que esse planejamento está mesmo acontecendo, com meu envolvimento atuante, assim como o das principais autoridades militares e civis e o de nossos comandantes de campo", disse Gates na carta, que foi obtida pela Reuters. "Considero esse planejamento contingencial uma prioridade para este departamento", disse ele no documento. Este ano, um contingente adicional de cerca de 30 mil soldados americanos foi enviado para o Iraque, elevando a presença total no país para por volta de 157 mil, dentro do que prevê o plano para assegurar a estabilidade do país e permitir aos políticos locais aprovar medidas que promovam a conciliação entre as facções étnicas e sectárias iraquianas. O contingente reforçado está atuando desde o dia 15 de junho. No Congresso dos EUA, porém, os democratas pressionam por uma mudança de estratégia que leve à retirada dos americanos do Iraque. Hillary Clinton tinha pedido em maio informações ao Pentágono sobre o planejamento contingencial para uma possível retirada das tropas do Iraque. O subsecretário da Defesa, Eric Edelman, escreveu uma resposta a ela em que não especificava se tais planos estavam ou não sendo elaborados. No texto, ele disse que a discussão pública sobre a retirada "reforça a propaganda inimiga de que os Estados Unidos vão abandonar seus aliados." A ex-primeira-dama chamou a resposta de inaceitável e revoltante. Gates, então, afirmou na carta seguinte que ia trabalhar junto com a Comissão de Serviços Armados do Senado de forma a criar um processo que mantivesse os parlamentares informados sobre o planejamento da retirada. Também manifestou seu apoio a Edelman, lembrando que sua primeira nomeação presidencial para o cargo de embaixador aconteceu em 1998, durante o governo do marido da senadora, o ex-presidente Bill Clinton.

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