Pentágono nega ter negociado com WikiLeaks sobre documentos secretos

Representantes não conversaram sobre colaboração em revisçao de material ainda não divuglado

estadão.com.br

19 de agosto de 2010 | 11h50

WASHINGTON - Representantes do Pentágono e do site WikiLeaks não conversaram sobre uma possível colaboração entre as duas partes para revisar documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão ainda não divulgados, informou na quarta-feira, 18, um porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA.

 

Veja também:

lista  Leia a íntegra no Wikileaks  (Em inglês)

 

Uma carta do conselheiro-geral do Departamento de Defesa, Jeh Johnson, para Timothy Matusheski, advogado do WikiLeaks, foi divulgada na quarta. O documento diz que o Pentágono tentou entrar com contato com representantes do site, mas que nunca houve a suposta ligação telefônica na qual ambos deveriam ter conversado.

 

O porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, disse que a carta foi divulgada para esclarecer as declarações do WikiLeaks de que o Pentágono havia contatado representantes do site. "Hoje, por conta das representações feitas em público, estamos divulgando essa carta que foi enviada ao advogado", disse.

 

O WikiLeaks informou que o Pentágono se mostrou disposto a ajudar a revisar os quase 17 mil documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão ainda não divulgados para checar se não há informações potencialmente prejudiciais a civis afegãos.

 

Whitman, porém, insistiu que não houve contato direto. "Nós não consideramos que houve contato. Tentamos falar com um indivíduo que seria o advogado do WikiLeaks. Marcamos um telefonema e ele não atendeu", disse.

 

Matusheski, porém, se defendeu e disse que o Pentágono está mentindo. "Nunca concordei com isso. Nunca me ligaram. Nunca concordei em atender o telefone no domingo de manhã (para quando estava marcada a ligação, segundo o Pentágono). Se tivessem me pedido, estaria disponível", disse.

 

O Wikileaks já vazou 77 mil documentos que cobrem o período de janeiro de 2004, durante administração de George W. Bush, até dezembro de 2009, quando o atual presidente americano, Barack Obama, iniciou o envio de mais 30 mil soldados ao país asiático. Seriam divulgados outros quase 15 mil papéis.

 

O material, publicado pelos jornais New York Times e The Guardian e pela revista Der Spiegel, revela detalhes minuciosos da guerra empreendida pelos EUA e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desde 2001 e consiste em um dos maiores vazamentos de documentos secretos da história americana.

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