Pentágono ordenou abuso em Abu Ghraib, diz militar

Entrevista surge três anos após a investigação de denúncias de tortura na prisão

Efe, Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h07

O general americano Antonio M. Taguba, que em 2004 investigou as denúncias de torturas na prisão iraquiana de Abu Ghraib, suspeita que os abusos foram cometidos por ordens de altos oficiais do Pentágono. O militar afirmou isto em uma reportagem investigativa publicada na revista New Yorker pelo jornalista Seymour Hersh. Hersh divulgou em primeira mão o massacre de My Lai na Guerra do Vietnã e os maus tratos cometidos por soldados dos Estados Unidos na prisão iraquiana de Abu Ghraib. Em declarações ao jornalista, Taguba afirmou que foi vítima de gozação de altos oficiais do Pentágono, entre eles o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld, após apresentar seu relatório sobre Abu Ghraib. O escândalo de Abu Ghraib, a prisão de Bagdá onde soldados americanos torturaram presos iraquianos, foi descrita pelo próprio presidente dos EUA, George W. Bush, como "o pior erro" cometido por seu país no conflito. Taguba afirmou que sempre teve a sensação de que os abusos foram ordenados pelos mais altos cargos do Pentágono e que foi obrigado a limitar sua investigação sobre o incidente a soldados de baixa patente. O general, que garante ter sido forçado a se retirar do Exército por conta da investigação, afirmou acreditar que altos comandantes no Iraque possuíam amplo conhecimento das técnicas de interrogatório adotadas e que eram similares às usadas na base americana de Guantánamo (Cuba). Na reportagem, Taguba afirma que Rumsfeld enganou o Congresso durante seu depoimento em maio de 2004. Naquela oportunidade, o ex-secretário de Defesa dos EUA afirmou ter parcos conhecimentos sobre os nefastos abusos que aconteciam em Abu Ghraib. Além disso, Taguba disse que se reuniu com Rumsfeld no dia anterior ao seu depoimento. "Sei que meus colegas no Exército ficarão zangados comigo por falar, mas violamos as leis da guerra em Abu Ghraib. Violamos os princípios da Convenção de Genebra, os próprios e o núcleo dos valores militares. O nervosismo da luta não é desculpa e acho, ainda hoje em dia, que os líderes militares e civis envolvidos devem ser responsabilizados", declarou Taguba. Taguba, que deixou o Exército em janeiro deste ano, também diz na matéria que quando viu Rumsfeld testemunhar em maio de 2004 teve a impressão de que o ex-secretário de Defesa "tentava se absolver".

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