Pentágono pede a pena de morte para 6 envolvidos no 11/9

Entre os acusados, detidos em Guantánamo, está Khalid Shaikh, apontado como o cérebro dos atentados

Efe,

11 de fevereiro de 2008 | 14h46

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos pediu nesta segunda-feira, 11, a pena de morte para seis detidos da base naval de Guantánamo, em Cuba, pelo envolvimento do grupo nos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, quando cerca de 3.000 pessoas morreram. A decisão foi anunciada por um porta-voz do Pentágono em entrevista coletiva.   Entre os detidos está Khalid Shaikh Mohammed, ex-chefe de operações do grupo terrorista Al-Qaeda e considerado pelos EUA como o cérebro dos atentados que acarretaram a morte de quase 3.000 pessoas.    Segundo o jornal The New York Times, o pedido do Pentágono gerou preocupações sobre a possibilidade do caso atrair atenção excessiva, colocando em discussão o polêmico sistema das comissões militares.   As comissões, que ainda não foi capaz de concluir nenhum julgamento, foram marcadas por problemas desde o início. "O sistema não foi capaz de lidar com os casos menos complicados que precisou resolver até agora", disse David Glazier ao jornal americano, ex-funcionário da Marinha e professor da Universidade de Direito Loyola, em Los Angeles.   "Nem o sistema nem os advogados da defesa estão prontos para um caso de pena de morte", afirmou um ex-advogado especialista em defesa militar.   O jornal nova-iorquino destaca que podem passar meses antes que os juízes sentenciem as penas, e aponta que ainda não está claro se será permitido realizar as execuções em Guantánamo.   Alguns observadores também sugerem que a tentativa de conseguir a pena de morte é um pouco prematura, tendo em vista que até agora o sistema de comissões militares fracassou ao especificar como serão feitas as execuções.   Acusados   Além de Khalid Shaikh, entre os acusados foi identificado ainda Mohammed al-Qahtani, classificado pelos funcionários americanos como seqüestrador, mas que não chegou a participar fisicamente nos atentados, segundo informações do The New York Times.    Outro acusado é Ramzi bin al-Shibh, considerado o principal intermediário entre os seqüestradores que derrubaram os aviões em setembro de 2001 e os líderes do grupo terrorista Al Qaeda.   Ali Abd al-Aziz Ali, conhecido como Ammar al-Baluchi, um sobrinho de Mohammed, identificado como seu braço direito nas operações de 2001, também figura na lista, assim como Mustafa Ahmed al-Hawsawi e Walid bin Attash, que teriam participado em diferentes tarefas como o treino dos terroristas para o ataque.   A última execução militar nos EUA aconteceu em 1961, quando um funcionário do Exército, John A. Bennett, foi enforcado após ser condenado por violação e tentativa de assassinato.

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