Pentágono pede ao Congresso para manter gays fora do Exército

Para líderes da Defesa americana, é necessário consultar as tropas primeiro para depois mudar a lei

Associated Press,

30 de abril de 2010 | 20h22

Líderes sênior do Pentágono advertiram o Congresso nesta sexta-feira, 30, para não alterarem o banimento para gays servirem abertamente no Exército até que eles possam criar um plano para lidar com uma potencial oposição das tropas.

 

Em uma contundente carta obtida pela Associated Press, o secretário de Defesa, Robert Gates, e o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto, afirmaram ao Comitê de Serviços Armados do Congresso que forçar uma mudança na política do Exército antes que ele esteja pronto seria um erro.

 

"Nossos militares precisam ter a chance de nos informar sua preocupações, visões e sugestões se nós quisermos fazer essa mudança com sucesso", escreveram Gates e Mullen para o presidente da comissão, o democrata de Missouri Ike Skelton.

 

Defensores dos direitos homossexuais querem uma legislação que freie obstruções militares para gays servirem abertamente no Exército ainda este ano, e alguns senadores democratas já afirmaram que desejam oferecer uma lei como essas.

 

Outros legisladores, incluindo Skelton, disseram que não são favoráveis ao fim do banimento, e que não querem agir antes que as forças estejam prontas.

 

A carta recomenda que Skelton e outros democratas indecisos não pressionem a mudança antes das eleições do meio deste ano. Nesta semana, Skelton pediu a Gates para esclarecer suas opiniões enquanto o comitê prepara lei de 2011.

 

O presidente Barack Obama afirmou que a lei de 1993, conhecida como "don't ask, don't tell" (não pergunte, não falei) pune injustamente americanos patriotas e pediu ao Congresso para repeli-la.

 

Gates já se disse a favor do veto da lei, mas quer consultar as tropas antes sobre como isso seria feito. Em dezembro, ele ordenou um estudo para avaliar como os alojamentos deveriam ser reorganizados e como os parceiros dos militares poderiam receber os benefícios do Exército.

 

Se o Congresso agir antes da conclusão dos estudos, "ele iria mandar uma mensagem muito prejudicadora para nosso homens e mulheres em uniformes de que, em essência, suas visões, preocupações e perspectivas não importam", escreveu Gates, junto com Mullen, para Skelton.

 

A carta gerou protestos imediatos de grupos gays. Joe Solmonese, presidente da Campanha de Direitos Humanos, disse que se o Congresso não agir neste ano, ele iria mandar uma mensagem para soldados gays de que "o impacto neles e em suas famílias não importa para os líderes militares, incluindo seu mais alto comandante".

 

Oficiais de defesa esperam que, ao postergar a lei, também irão ajudar as tropas a se adaptarem à ideia de servirem ao lado de colegas gays antes de terem de aceitar a mudança obrigatoriamente.

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