Pentágono prepara plano para fechar Guantánamo

Robert Gates pediu proposta para caso de Obama querer fechar prisão no início do mandato

Agências internacionais,

19 de dezembro de 2008 | 07h34

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, encarregou sua equipe de fazer um relatório com propostas para fechar a prisão da base naval americana de Guantánamo, em Cuba, como deseja o presidente eleito Barack Obama. O porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, informou na quinta-feira, 18, que Gates "pediu a sua equipe uma proposta sobre como fechá-la, que requereria especificamente o fim e a mudança dos detidos na prisão, enquanto, ao mesmo tempo, se garanta a proteção dos americanos". Gates, nomeado por George W. Bush e que seguirá à frente do Departamento de Defesa no governo Obama, quer estar preparado para entregar a seu próximo chefe um plano para pôr fim à controvertida prisão em Cuba. Segundo Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono, um time de analistas está estudando maneiras de transferir detentos da base de uma forma "que assegure a proteção do povo americano".  A prisão de Guantánamo foi aberta logo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. Centenas de homens com supostas ligações com a Al-Qaeda são mantidos no local sem julgamento, sob o status de "combatentes inimigos". Alguns dos prisioneiros estão sendo julgados por tribunais civis americanos, após uma decisão da Suprema Corte, em junho.Oficiais, no entanto, afirmam que o fechamento do campo de prisioneiros pode ser um processo extremamente complicado.  "O presidente eleito deixou muito claro durante a campanha que deseja resolver esse tema em uma fase adiantada de seu mandato, de modo que o secretário quer estar preparado para ajudá-lo na hora de encontrar uma solução para esse problema tão complicado", explicou Morrell. De fato, Obama pôs o fechamento da prisão em Guantánamo e o fim do uso da tortura como uma das metas a ser alcançadas antes das eleições legislativas de novembro de 2010, segundo disse em uma entrevista à revista Time. Ele também afirmou que pretende fechar Guantánamo "de uma maneira responsável" e "restaurar o equilíbrio entre as exigências" da segurança e da Constituição do país. O governo George W. Bush analisou também o difícil assunto, mas não pôde resolver questões complicadas como o que fazer com os presos que não podem ser transferidos a seus países de origem por correrem risco de ser torturados e não haver outras nações que queiram acolhê-los. Washington também não quer levá-los a território americano, por considerar que constituem um perigo para a população caso fossem absolvidos ou condenados a relativamente poucos anos e postos em liberdade depois. Atualmente há 250 detidos em Guantánamo, que estão reclusos de forma indefinida sem acusações.

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