Pescadores indianos dizem que barco dos EUA disparou sem aviso

Pescadores indianos que sobreviveram à saraivada de disparos de um navio militar dos Estados Unidos na costa dos Emirados Árabes Unidos contestaram a versão norte-americana de que o barco pesqueiro teria ignorado sucessivos avisos para se afastar da embarcação militar.

AMENA BAKR, Reuters

17 de julho de 2012 | 16h58

Um indiano morreu e três outros ficaram feridos na segunda-feira por causa dos disparos feitos pelo navio de reabastecimento USNS Rappahannock contra o barco pesqueiro.

O incidente mostrou o potencial para uma rápida escalada em incidentes nas águas do golfo Pérsico, onde forças dos Estados Unidos têm ampliado sua presença, em meio à tensão de Washington com o Irã por causa do programa nuclear desse país.

Os militares dos EUA disseram que o barco pesqueiro se aproximou perigosamente do navio militar e ignorou vários avisos para se afastar.

Mas os pescadores, hospitalizados com ferimentos após o incidente perto do porto de Jebel Ali, em Dubai, disseram nesta terça-feira que o barco pesqueiro tentou evitar qualquer contato com o navio norte-americano e que os disparos começaram sem aviso prévio.

"Não houve alerta nenhum do outro navio, estávamos acelerando para tentar contorná-los e aí de repente fomos alvejados", disse à Reuters o pescador Muthu Muniraj, de 28 anos, que teve as pernas perfuradas por estilhaços de um projétil calibre .50.

"Conhecemos os sinais e sons de alerta, e não houve nenhum; foi muito repentino. Meu amigo foi morto, foi embora. Não entendo o que aconteceu."

Outros tripulantes do barco pesqueiro, um total de seis indianos e dois cidadãos dos Emirados, contaram que o barco foi alvejado depois de pescar nas águas próximas a Jebel Ali.

"Estávamos pescando e aí no caminho de volta começaram a atirar em nós, muitos tiros, como uma tempestade", disse Muthu Kannan, de 35 anos, atingido no abdome e na parte inferior de uma perna.

"Não é a primeira vez que saímos de barco, e todos nós sabemos o que é um alerta", disse Pandu Sanadhan, de 26 anos. "Tudo o que eu consigo me lembrar é de um monte de tiros."

(Reportagem adicional de Praveen Menon e Marcus George, em Dubai; e de Ross Colvin, em Nova Délhi)

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