Pesquisa sobre segurança aérea é mantida sob sigilo pela Nasa

Decisão visa não prejudicar empresas americanas, argumenta funcionário; Congresso já discute medida polêmica

Associated Press,

22 de outubro de 2007 | 20h31

A segurança dos vôos comerciais nos Estados Unidos pode estar muito mais comprometida do que as autoridades aéreas dos Estados Unidos imaginavam, mas se depender da Nasa, a população americana nunca terá acesso a essas informações.  Situações de quase colisão e interferências em pistas de decolagem são problemas comuns no país, segundo os resultados de uma nova pesquisa realizada pela agência espacial americana. O problema é que os dados estão sendo mantidos sob sigilo. "A publicação das informações requeridas, que são sensíveis e relacionadas à segurança, pode afetar materialmente a confiança da população e o bem-estar comercial das empresas aéreas cujos pilotos participaram da pesquisa", justificou um alto funcionário da Nasa em uma resposta ao pedido da Associated Press para que a pesquisa fosse divulgada.  Em um despacho desta segunda-feira, 22, a agência de notícias explica que soube da existência do levantamento por meio de uma fonte anônima, e revela ter tentado a abertura dos dados, por cerca de 14 meses, com base Ato de Liberdade de Informação. A pesquisa, que reúne informações obtidas através de entrevistas telefônicas realizadas com 24 mil pilotos durante cerca de quatro anos, custou US$ 8,5 milhões ao contribuinte americano.  Com a repercussão do escândalo, o administrador da Nasa, Mike Griffin, divulgou nesta segunda uma nota explicando ter sabido que a pesquisa estava sendo mantida sob sigilo apenas com o pedido da AP.  Resultados "Estou revendo esse pedido por meio do Ato de Liberdade de Informação para determinar quais - se houver alguma - dessas informações podem ser tornadas publicas legalmente. A Nasa deve focar em como dar informações ao público; não como escondê-la", diz a nota. No texto, Griffin ressalta ainda sempre ter defendido a abertura e transparência das pesquisas e análises feitas pela Nasa.  Entre os resultados do levantamento vazados à AP, há informações de que o número de batidas provocadas por pássaros e situações de quase colisão aérea são duas vezes superior aos registrados nos sistemas de monitoramento do governo.  A pesquisa também mostra números alarmantes de pilotos que teriam sido informados sobre mudanças nas instruções de pouso na última hora, algo que segundo a AP seria "potencialmente perigoso". Repercussão no Congresso A polêmica já repercute com força no Congresso americano. "Se as linhas aéreas não são seguras, eu quero saber mais sobre isso", disse o presidente da subcomissão de investigações em Ciência e Tecnologia da Câmara dos Representantes, deputado Brad Miller.  O político pediu à Nasa que passe a sua subcomissão informações sobre a pesquisa e sobre a decisão de mantê-la sob sigilo. "A informação parece ter grande valor para a segurança da aviação, mas não num arquivo da Nasa", argumentou o deputado no pedido.

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