Petraeus enfrenta ceticismo de senadores em nova sabatina

Críticas à manutenção das forças americanas no Iraque ecoaram até entre republicanos

Agências internacionais

11 de setembro de 2007 | 12h04

Senadores republicanos desafiaram os principais responsáveis pela política da administração de George W. Bush no Iraque nesta terça-feira, 11, num sinal de que parte do partido do presidente endossa as críticas da oposição à guerra.Veja Também Especial: a ocupação do Iraque  Ataque a QG dos EUA em Bagdá deixa um morto  "Vamos continuar investindo sangue e dinheiro no mesmo nível que estamos fazendo agora? Para quê?", perguntou o republicano Chuck Hagel durante uma nova sessão de perguntas ao general David Petraeus e ao embaixador Ryan Crocker. Hagel está entre os republicanos que apóiam o estabelecimento de um prazo para o retorno dos soldados americanos para os Estados Unidos. Após falarem a duas comissões da Câmara dos Representantes (deputados) na segunda-feira, 10, o principal comandante dos EUA no Iraque e o representante da Casa Branca em Bagdá falaram na manhã desta terça-feira ao senadores das Comissão de Relações Exteriores do Senado. Mais tarde, eles farão nova aparição frente à Comissão de Serviços Armados da mesma Casa. A dúvida expressa por Hagel reflete o quão profundas estão as discussões no Congresso desde o início da guerra, há mais de quatro anos. E, como comprova Hagel, a insatisfação com os resultados da guerra é alta inclusive entre os partidários do presidente. Na segunda-feira, Petraeus anunciou ter recomendado ao presidente uma retirada gradual dos 30 mil soldados extras enviados ao país no início do ano, num movimento que seria concluído até o meio de 2008. Entretanto, outros 130 mil - contingente que vinha sendo mantido até janeiro - continuariam no país árabe. Dúvidas Embora alguns republicanos costumem mostrar respeito ao pensamento dos militares no comando da guerra, Hagel e outros senadores Republicanos da comissão disseram duvidar que a estratégia de dar mais tempo aos comandantes no front levará necessariamente a resultados positivos.  "No meu julgamento, algum tipo de sucesso no Iraque é possível, mas como legisladores, deveríamos admitir que estamos enfrentando margens muito pequenas para alcançarmos nossos objetivos", disse Richard Lugar, o líder dos republicanos na comissão. Para ele, a retirada proposta por Petraeus deveria ser mais vigorosa. Seguindo a mesma linha do testemunho prestado frente aos Deputados na segunda, Petraeus e Crocker admitiram que a situação no Iraque continua caótica, mas argumentaram que a violência no país diminuiu após o envio dos 30 mil soldados extras no começo do ano.  Para Corcker, a diminuição no derramamento de sangue pode pavimentar o caminho para a reconciliação política. O embaixador argumentou ainda temer que o estabelecimento de uma data para a retirada, como querem os democratas, leve os iraquianos a se focarem nos preparativos "para uma grande batalha nas ruas", e não nos esforços para a reconciliação política. Contradições Provocador, Hagel perguntou a Petraeus por que a análise do comandante para a situação no front era mais otimista do que a de relatórios independentes sobre a guerra.  "Temos muitas contradições aqui, general", disse Hagel.  Em um momento do seu depoimento, Petraeus argumentou que "há 165 mil análises diferentes sobre a situação no front", que podem mudar diariamente.

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