Piloto herói vai depor em investigação de pouso forçado em NY

Investigadores concentram-se na recuperação da caixa-preta e nos depoimentos da tripulação sobre o acidente

Agências internacionais,

16 de janeiro de 2009 | 13h43

Um guindaste gigante e uma barcaça foram usados nesta sexta-feira, 16, para retirar um avião de passageiros da US Airways do rio Hudson, um dia depois de o piloto da aeronave ter feito um pouso forçado e salvado a vida das 155 pessoas a bordo. Funcionários federais irão agora concentrar-se na recuperação da caixa-preta do avião e em depoimentos da tripulação sobre o acidente, aparentemente causado por pássaros que se chocaram contra a aeronave. O piloto Chesley B. "Sully" Sullenberger III e o copiloto Jeff Skiles, que tornaram-se heróis por terem impedido um acidente com vítimas, devem relatar o que aconteceu durante o voo na quinta-feira.   Veja também Pássaros já causaram 668 acidentes aéreos nos EUA Avião com mais de 150 pessoas cai em rio de Nova York Galeria de fotos do resgate    O Airbus A320, construído em 1999, está num píer ao sul de Manhattan. Um grupo de 20 funcionários da Comissão Nacional de Segurança nos Transportes investiga o acidente. O executivo-chefe da US Airways, Doug Parker, disse em comunicado que é "prematuro especular sobre a causa do acidente". A porta-voz da Administração Federal de Aviação, Laura Brown, disse que não há indicações, até agora, de que o fato não tenha sido "nada mais do que um acidente".   Foi uma sequência de improbabilidades. Aves regularmente chocam-se com aviões, mas raramente derrubam um avião comercial. Turbinas de um avião deixam de funcionar algumas vezes, porém é raro que as duas deixem de funcionar ao mesmo tempo. Os pilotos recebem treinamento para uma série de situações de emergência, mas poucos - se é que algum já conseguiu - fizeram um pouso de um jato em uma das vias de navegação mais ativas dos Estados Unidos sem que houvesse ferimentos graves.   O Airbus A320 da US Airways que ia para Charlotte, Carolina do Norte, decolou do aeroporto de LaGuardia às 15h26 (horário local, 12h26 de Brasília). Menos de um minuto depois da decolagem, o piloto disse ter sofrido "dupla colisão com pássaros" e que precisava voltar a LaGuardia, disse Doug Church, porta-voz da Associação Nacional de Controladores de Tráfego Aéreo. Após o pouso no rio, os 150 passageiros e cinco tripulantes tiveram de deixar rapidamente a aeronave, que ficou submersa até a altura das janelas, nas águas do rio que estavam a 2º Celsius. Dezenas de pessoas esperaram nas asas do avião sob uma temperatura de -7º Celsius, um dos dias mais frios do inverno, até serem resgatadas.   Dois mergulhadores da polícia disseram que retiraram uma mulher de um bote salva-vidas "apavorada e fora de si" e com hipotermia. Helen Rodriguez, paramédica que estava entre as primeiras pessoas a chegar ao local, disse ter visto uma mulher com as duas pernas quebradas. Os paramédicos cuidaram de pelo menos 78 pessoas, a maioria delas com hipotermia, arranhões e outros pequenos ferimentos, disseram bombeiros. O avião afundou devagar, na medida em que era levado pela correnteza do rio. Segundo o prefeito Michael Bloomberg, a aeronave afundou nas proximidades do Battery Park, sul de Manhattan, a cerca de 6 quilômetros e meio de onde foi pousado pelo piloto.     Piloto herói   Sullenberger, de 57 anos, é ex-piloto da Força Aérea norte-americana e trabalha como piloto da US Airways há 29 anos. Com 40 anos de experiência na indústria da aviação, ele conseguiu aterrissar com calma o avião nas águas do rio com as duas turbinas com problemas. Ele ganhou até uma comunidade no site de relacionamentos Facebook, "Fãs de Sully Sullenberger".   O Pentágono afirmou que Sullenberger prestou serviço na Força Aérea entre 1973 e 1980, e foi piloto de aviões de combate e oficial de instrução na Europa e no Pacífico. Além disso, foi comandante de missão durante um exercício "Red Flag" na base Nellis da Força Aérea, em Nevada.   O presidente americano, George W. Bush, qualificou o comportamento do piloto e do resto da tripulação do avião como "heroico", e destacou "a dedicação e altruísmo das equipes de emergência e voluntários que resgataram os passageiros das águas geladas do Hudson". O senador democrata por Nova York, Charles Schumer, disse que Sullenberger merece "a medalha do Congresso à honra" pela forma como se comportou durante a emergência.

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