Polícia detém suspeito de cometer explosões em Boston

A polícia de Boston capturou na noite desta sexta-feira um homem de 19 anos suspeito de cometer as explosões na Maratona de Boston junto a seu irmão mais velho, após um longo dia de uma caçada humana envolvendo helicópteros e agentes fortemente armados em um subúrbio da cidade.

AARON PRESSMAN E STE, Reuters

19 de abril de 2013 | 22h52

O Departamento de Polícia de Boston disse em mensagem no Twitter que o suspeito estava preso e que oficiais estavam fazendo uma varredura na área onde ele foi capturado, na parte de trás de um barco estacionado no quintal de uma casa.

De acordo com a polícia estadual, o suspeito foi levado em estado grave, sangrando, ao Hospital Geral de Massachusetts. A detenção só foi possível depois de agentes receberem uma pista de um morador que observou sangue perto do local onde ele estava escondido.

Anteriormente, as autoridades o identificaram como Dzhokhar Tsarnaev, um dos dois irmãos suspeitos de cometerem as explosões de segunda-feira no evento esportivo mundialmente conhecido, matando três pessoas e ferindo 176.

"Capturado!!! A caçada acabou. A busca acabou. O terror acabou. E a Justiça venceu", disse a polícia de Boston em mensagem no Twitter.

Viaturas e veículos blindados cercaram uma casa em Watertown nesta sexta-feira logo depois de dizer em entrevista coletiva que o suspeito havia fugido a pé e que ainda estava foragido. Tamerlan Tsarnaev, irmão de Dzhokhar, foi morto na véspera em confronto com a polícia.

O atentado de segunda-feira na linha de chegada da maratona foi descrito pelo presidente norte-americano, Barack Obama, como "um ato de terrorismo". Foi o pior ataque desse tipo no solo dos Estados Unidos desde os aviões sequestrados em 11 de setembro de 2001.

As imagens mostraram que a casa de três andares onde Dzhokhar foi pego tinha um barco coberto com lona estacionado em um reboque no quintal.

Também pelo Twitter, o prefeito de Boston, Thomas Menino, disse: "Nós o pegamos."

Mais cedo nesta sexta-feira, o coronel Timothy Alben contou em entrevista coletiva que agentes fizeram uma varredura de casa em casa numa área de 20 quarteirões em busca do suspeito, descrito como armado e perigoso.

Durante a busca pelo homem, dois helicópteros Black Hawk sobrevoaram a região. Agentes da Swat, tropa de elite da polícia norte-americana, se moveram em formação, deixando para trás um oficial para assegurar que as casas inspecionadas estavam seguras, disse um oficial de segurança.

Nesta sexta-feira surgiram detalhes sobre os irmãos, inclusive sobre sua origem no Cáucaso russo, região predominantemente muçulmana que enfrenta duas décadas de violência desde o fim da União Soviética.

A polícia federal norte-americana (FBI) entrevistou em 2011 o mais velho dos irmãos, atendendo ao pedido de um governo estrangeiro não identificado, disse uma fonte de segurança dos Estados Unidos nesta sexta-feira.

As relações do FBI com Tamerlan não produziram qualquer informação "depreciativa" à época, e o assunto foi colocado de lado, disse a fonte, falando sob condição de anonimato.

Numa rede social, Dzhokhar, o mais novo, se descreve como integrante de uma minoria do Cáucaso, área que abrange a Chechênia, o Daguestão e a Inguchétia.

Um homem que disse ser tio deles afirmou que os irmãos chegaram aos Estados Unidos no começo da década passada e se estabeleceram na região de Cambridge, cidade vizinha a Boston.

"Eu digo o que eu acho que está por trás disso - serem derrotados", disse Ruslan Tsarni a jornalistas nos arredores de Washington. "Não serem capazes de se estabelecerem e, portanto, odiarem todos que conseguiram."

Tsarni disse que não conversava com os sobrinhos desde 2009. O atentado de segunda-feira "envergonha nossa família, envergonha toda a etnia chechena", afirmou o homem.

Segundo o FBI, as explosões foram provocadas por bombas caseiras, montadas em panelas de pressão e transportadas em mochilas largadas no local das explosões, onde havia uma concentração de milhares de pessoas.

REAÇÕES

Os fatos motivaram reações do governo da Rússia condenando o terrorismo e do dirigente pró-russo da Chechênia criticando a polícia de Boston por matar um cidadão com origem étnica na região. Ele disse que a violência foi motivada pela criação que os rapazes tiveram nos Estados Unidos.

"Eles cresceram e estudaram nos Estados Unidos, e suas atitudes e crenças foram formadas lá", disse Ramzan Kadyrov em declarações divulgadas pela Internet. Qualquer tentativa de estabelecer uma conexão entre a Chechênia e os Tsarnaevs é em vão."

Por telefone, Obama agradeceu nesta sexta-feira o presidente russo, Vladimir Putin, pela estreita cooperação de Moscou no combate ao terrorismo e eles concordaram em continuar a trabalhar juntos em questões de segurança.

"O presidente Putin expressou suas condolências em nome do povo russo pela trágica perda de vidas em Boston", disse a Casa Branca em comunicado resumindo o telefonema dos líderes.

Obama "elogiou a estreita cooperação que os Estados Unidos receberam da Rússia no combate ao terrorismo, inclusive na sequência do ataque de Boston", disse a Casa Branca.

POSTAGENS NA INTERNET

Fontes governamentais dos EUA disseram que os irmãos chegaram ao país há vários anos e, aparentemente, estavam em situação imigratória regular. Nenhum deles era visto pelas autoridades como uma potencial ameaça.

Numa rede social em russo, uma página com o nome de Dzhokhar Tsarnaev homenageia sites islâmicos e separatistas chechenos. O autor dizia ter se formado em 2011 numa escola pública de Cambridge, depois de fazer o ensino primário em Makhachkala, capital do Daguestão, província russa fronteiriça com a Chechênia.

Tsarnaev declarava falar inglês, russo e checheno. Como "visão de mundo", citou o islamismo. Como "propriedade pessoal", apontou "carreira e dinheiro".

O irmão mais velho de Dzhokhar, morto na véspera, era o homem identificado em fotos na cena do atentado como o suspeito número 1, o que usava boné escuro e óculos de sol. O suspeito 2, preso nesta sexta-feira, aparecia nas fotos com boné branco virado para trás.

O chefe do pronto-socorro do hospital que recebeu Tamerlan ferido na véspera, Richard Wolfe, disse que ele sofreu múltiplas lesões, provavelmente por tiros e explosões, o que causou uma parada cardiorrespiratória. Questionado sobre a quantidade de tiros que ele levou, o médico afirmou: "Incapaz de contar".

(Reportagem adicional de Mark Hosenball, Jim Bourg, Svea Herbst-Bayliss, Daniel Lovering e Ben Berkowitz)

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