Polícia impede manifestantes de bloquearem rua da bolsa de NY

A polícia de Nova York impediu nesta quinta-feira que manifestantes do movimento Ocupe Wall Street bloqueassem a rua onde está a bolsa de valores, no coração financeiro da cidade. Mais de cem pessoas foram detidas no protesto, que teve uma adesão inferior às previsões dos organizadores.

CHRIS FRANCESCANI E SHARON REICH, REUTERS

17 de novembro de 2011 | 19h33

O dia chuvoso fez com que apenas algumas centenas de manifestantes participassem do "dia de ação" programado para Nova York e outras cidades. Os organizadores e a prefeitura esperavam dezenas de milhares na metrópole da Costa Leste.

"Certamente queremos ver mais gente se mobilizando e aparecendo", disse Jeff Smith, porta-voz do movimento, que apesar disso apontou um "comparecimento fantástico."

A polícia isolou as ruas estreitas nos arredores da Wall Street, onde fica a Bolsa de Nova York, e usou cassetetes para manter os manifestantes nas calçadas. O objetivo da passeata era impedir que os funcionários do setor financeiro conseguissem chegar aos seus empregos.

Esses trabalhadores precisavam se identificar para passar pelas barreiras policiais. A bolsa abriu na hora e funcionou normalmente. Por volta de 14h (17h em Brasília), houve um confronto entre manifestantes e policiais, e mais de cem pessoas foram detidas.

Os manifestantes batiam bumbos e gritavam "Nós somos os 99 por cento" - referindo-se à tese de que o sistema político do país beneficia os 1 por cento mais ricos da população. Alguns manifestantes também provocavam os policiais, com o refrão: "Vocês são sexy, e são azuis, agora tirem a farda da tropa de choque."

Na terça-feira, o movimento sofreu um golpe com a ação policial que desmantelou o acampamento do Ocupe Wall Street no parque Zucotti, no centro de Nova York. A ocupação do parque, em 17 de setembro, havia desencadeado uma onda nacional de acampamentos e estimulado movimentos semelhantes mundo afora.

Ainda nesta quinta-feira, os manifestantes pretendem levar seus protestos a 16 importantes estações de metrô, e depois voltarão à frente da prefeitura para um comício, antes de cruzarem a ponte do Brooklyn em passeata. No mês passado, mais de 700 pessoas foram detidas durante uma passeata semelhante na ponte, que chegou a interromper o tráfego.

A adesão de sindicatos e da entidade liberal Moveon.org pode fazer com que o comício em frente à prefeitura ganhe mais volume. "Não acho que o clima tenha ajudado em nada (durante a manhã), mas o comício das 17h é crucial", disse Zach Zook, 27 anos, morador do Brooklyn.

Em Los Angeles, centenas de manifestantes e sindicalistas fizeram uma passeata pelo centro, em solidariedade ao movimento de Nova York. "De quem são as ruas? As ruas são nossas", gritavam eles. A polícia disse ter detido 23 pessoas que bloquearam uma via.

Erik Santiago, de 29 anos, disse ter participado dessa passeata para "abrir uma plataforma entre nós e nosso governo, porque parece que ela se quebrou."

Em Dallas, mas de uma dúzia de manifestantes foram detidos na operação policial que desmantelou um acampamento montado há seis semanas perto da prefeitura.

(Reportagem adicional de Alex Dobuzinskis, em Los Angeles; de Laird Harrison, em Oakland; e de Jim Forsyth, em San Antonio)

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