Polícia prende ao menos 50 em protestos contra violência policial em St.Louis, EUA

Polícia prende ao menos 50 em protestos contra violência policial em St.Louis, EUA

Ao longo do dia, grupos diferentes ocuparam a prefeitura da cidade e fecharam duas lojas da rede Walmart

FIONA ORTIZ, REUTERS

14 de outubro de 2014 | 09h37

Mais de 50 pessoas foram presas em uma série de passeatas pacíficas na região de St. Louis na segunda-feira, organizadas para chamar a atenção sobre a violência policial, mais de dois meses depois de um policial branco ter matado um adolescente negro desarmado em um subúrbio local.

Dezenas de manifestantes -- incluindo muitos ativistas provenientes de outras cidades-- foram presos sob uma forte chuva em atos de desobediência civil em Ferguson, subúrbio onde Michael Brown, de 18 anos, foi morto a tiros.

Ao longo do dia, grupos diferentes ocuparam a prefeitura de St. Louis, fecharam duas lojas da rede Walmart, fizeram manifestações em frente ao comitê de um político local e ergueram faixas em meio a um jogo de futebol americano em que se liam "black lives matters"("vidas de negros importam").

Uma pessoa foi presa na prefeitura de St. Louis, disse a polícia, e uma testemunha da Reuters viu três outras pessoas sendo detidas enquanto 150 manifestantes faziam um protesto em frente a uma loja Walmart no pequeno subúrbio de Maplewood.

"Este é um dia histórico", disse Mervyn Marcano, porta-voz para o "Outubro Ferguson", quatro dias de protestos que culminaram no que os organizadores chamaram "Segunda-feira da Moral"

Durante o fim de semana foram organizadas passeatas comícios, vigílias e aulas em Ferguson e St. Louis, eventos transmitidos ao vivo pela Internet para comprovar a não ocorrência de atos violentos e saques.

Encharcados pela forte chuva, manifestantes cantavam hinos pró direitos civis e se ajoelhavam sobre o asfalto molhado diante de uma fileira de policiais em Ferguson. Em uma manifestação cuidadosamente coreografada, os ativistas avançaram lentamente contra a formação policial, forçando os policiais a detê-los.

"Estou dando um passo à frente. Não estou resistindo à prisão. Vou dar um passo à frente. Exijo me encontrar com as autoridades de Ferguson. Quero exigir justiça por Mike Brown", disse o representante do Partido Comunista Carl Dix, enquanto avançava contra a linha policial, até ser preso. Ele foi liberado no mesmo dia.

Líderes religiosos locais e de âmbito nacional, grupos pró direitos civis, ativistas e organizadores de comunidades locais ajudaram a liderar as manifestações, que disseram ter o objetivo de chamar a atenção para o que consideram ser uma discriminação no tratamento dado pela polícia aos negros, assim como impulsionar um movimento nacional contra a violência policial.

(Reportagem adicional de Jim Young em St. Louis e Carey Gillam em Kansas City, no Missouri)

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