Política dos EUA para Cuba fracassou, diz Hillary Clinton

Secretária de Estado americana afirma que Washington saúda proposta cubana de negociar 'tudo'

Agências internacionais,

17 de abril de 2009 | 13h43

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reconheceu nesta sexta-feira, 17, que a política americana para Cuba fracassou e elogiou as declarações do presidente cubano, Raúl Castro, que se mostrou favorável pelo diálogo entre os dois países.

 

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Raúl Castro disse na quinta-feira estar disposto a discutir "tudo" com os EUA, inclusive as questões de direitos humanos e presos políticos, o que marca um importante sinal de reaproximação do regime com seu mais antigo e ferrenho inimigo. "Vimos os comentário de Raúl Castro e damos as boas-vindas a suas propostas", disse Hillary a jornalistas durante visita à República Dominicana. "Estamos avaliando muito seriamente isso, e consideraremos como responder", acrescentou.  "Sentimos que a política (americana) em relação a Cuba fracassou", afirmou Hillary em entrevista coletiva conjunta com o presidente dominicano, Leonel Fernández.

 

Hillary sustentou que a eliminação das restrições de viagens dos EUA para Cuba e a permissão para o envio de remessas são as mudanças "mais significativas em décadas". Ela assinalou ainda que os EUA buscam como avançar de maneira produtiva e que a ótica da presidência de Barack Obama é o diálogo como ferramenta para "fomentar a democracia, os direitos humanos, a prosperidade e o progresso".

 

A declaração de Raúl, feita na véspera da  5ª Cúpula das Américas, que acontece nesta sexta-feira em Trinidad e Tobago, foi uma resposta ao presidente dos EUA, Barack Obama, que horas antes, numa entrevista à TV CNN em espanhol, cobrou uma contrapartida do regime cubano à iniciativa americana de eliminar restrições a remessas de divisas e a viagens a Cuba.

 

"Transmitimos mensagens ao governo dos EUA, reservadamente e em público, de que estamos dispostos a discutir tudo, a qualquer momento que eles quiserem", disse Raúl num inflamado discurso a outros líderes esquerdistas na Venezuela, no aniversário da frustrada invasão norte-americana na Baía dos Porcos (1961), na quinta-feira. "Direitos humanos, liberdade de expressão, presos políticos, tudo, tudo, tudo o que eles quiserem conversar a respeito", disse ele, insistindo apenas que o diálogo se dê em condições de igualdade e sem ameaças à soberania cubana.

 

Havana tradicionalmente acusa Washington de adotar um comportamento imperialista, e costuma argumentar que a situação dos direitos humanos nos EUA tampouco é perfeita. Líderes cubanos já vinham falando bem de Obama e manifestando disposição para o diálogo, mas sempre rejeitando a ideia de qualquer precondição imposta por Washington sobre questões internas cubanas.

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