Polônia e EUA assinam acordo sobre escudo antimíssil

Os Estados Unidos e a Polôniaassinaram nesta quarta-feira um acordo para instalarcomponentes de um escudo norte-americano de defesa antimíssilem território polonês, uma manobra que ampliou as tensões entrea Rússia e o Ocidente depois da intervenção russa na Geórgia. Os 10 interceptadores de foguete a serem colocados naPolônia, junto com um complexo de radares instalado naRepública Tcheca, formarão a parte européia do sistema globalque os EUA dizem estar montando para derrubar mísseisbalísticos lançados eventualmente por Estados "inamistosos" ougrupos militantes tais como a Al Qaeda. "Esse é um acordo que criará uma instalação de defesaantimíssil aqui na Polônia capaz de nos ajudar a enfrentar osmísseis de longo alcance lançados por países como o Irã e aCoréia do Norte", disse a repórteres a secretárianorte-americana de Estado, Condoleezza Rice, que assinou oacordo com o ministro polonês das Relações Exteriores, RadoslawSikorski. Apesar das garantias dadas pelos EUA, a Rússia considera oescudo antimíssil uma ameaça a sua própria segurança e algunspolíticos e generais russos disseram que a Polônia deveriapreparar-se para a eventualidade de ser alvo de um ataquepreventivo contra as instalações montadas ali. O governo norte-americano considerou a ameaça um discursovazio. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disseque isso era inaceitável. Os interceptadores serão instalados na base de Redzikowo,antes pertencente ao Pacto de Varsóvia e localizada no norte daPolônia, a cerca de 1.360 quilômetros de Moscou e a 300quilômetros do encrave russo de Kaliningrad, na costa do marBáltico. A Rússia disse que os EUA e a Polônia apressaram aconclusão do acordo como forma de responder à ação militar delana Geórgia. Os dois países negaram isso. Mas, segundo oprimeiro-ministro polonês, Donald Tusk, os eventos ocorridos emsolo georgiano mostravam que as preocupações da Polônia na áreade segurança precisavam ser levadas a sério pelo governonorte-americano. A Polônia, maior ex-satélite soviético dentro da Europacentral, e países do Báltico condenaram a investida russacontra a Geórgia. Comentaristas de política traçaram paraleloscom as intervenções soviéticas na Hungria e na Tchecoslováquiaem 1956 e 1958. Depois da contra-ofensiva russa contra os georgianos,pesquisas mostraram uma mudança de opinião entre os poloneses,que agora concordam com a instalação de parte do escudoantimíssil em seu país. Também houve uma elevação no nível deapreensão referente à Rússia. Em sua cúpula de abril, realizada em Bucareste, a Otansancionou o plano norte-americano de defesa antimíssil para aEuropa, e isso apesar de alguns aliados europeus duvidarem daeficiência dele e mostrarem-se preocupados com a possibilidadede ele provocar uma nova corrida armamentista.

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