Por segurança, liberdade de imprensa é menor após 11/09

Judith Miller, presa por não revelar informante, diz que Senado dos EUA aprovará sigilo de fontes neste ano

Talita Eredia, estadao.com.br

16 de julho de 2008 | 14h54

A ex-jornalista do The New York Times Judith Miller, presa por se recusar a revelar a identidade de uma fonte, afirmou que o governo dos Estados Unidos ainda limita a liberdade de imprensa no país desde os ataques de 11 de setembro de 2001, mas que o Senado americano deve aprovar uma lei que garanta este tipo de sigilo ainda neste ano.   Judith lidera o movimento pela aprovação da medida na Justiça desde 2005, quando foi detida por 85 dias por ocultar a identidade da fonte que expôs as atividades da agente da CIA Valeria Plame. Para a jornalista, os atentados de 11/09 e a morte de cinco americanos contaminados por antraz foram alguns dos fatores que limitaram a liberdade de imprensa no país. "Muitas informações passaram a ser confidenciais e segredos de Estado após os atentados terroristas", "passamos a ser monitorados 24 horas por dia." "Hoje, podemos afirmar categoricamente que temos menos liberdade e menos segurança", afirmou, durante uma palestra no IV Congresso Brasileiro de Publicidade, na terça-feira, 15.   Segundo Judith, o governo americano gastou US$ 7,2 bilhões para avaliar informações como confidenciais. Ela lembrou ainda que a imprensa americana não pode acompanhar a chegada dos corpos de militares americanos que combateram no Iraque, nem acompanhar o funeral mesmo que autorizados pelas famílias. A americana ressaltou, porém, que os EUA não vivem uma liberdade policial, não existe censura, e que tudo não passa de preocupação com a segurança do país após os ataques. "É claro que medidas de segurança devem ser tomadas, mas a liberdade de imprensa e o acesso às informações estão sendo sacrificados".   De acordo com a jornalista, 49 dos 50 Estados americanos já criaram leis que garantem o sigilo das fontes jornalísticas, todas aprovadas com ampla maioria. Judith acredita que a proposta não encontrará problemas no Senado, onde deve ser aprovada até o final de 2008, mesmo com a ameaça de veto do presidente americano, George W. Bush.   Judith, vencedora do Pulitzer, relatou ainda que em 63% dos países existe um cerceamento parcial ou total da liberdade de imprensa. Ela aponta que os piores casos estão na Rússia, na Ásia e na África subsaariana e lembrou que grandes sites como o Google aceitam, por exemplo, a censura imposta pelo governo chinês.   "A maioria dos países impões severas restrições aos jornalistas. Nos últimos 7 anos, foi registrado um aumento de 10 vezes no número de profissionais intimados a depor em processos judiciais, o que mostra a fragilidade das relações entre imprensa e governo".    Elogios ao Brasil   Judith Miller elogiou o Supremo Tribunal Federal por ter revogado a Lei de Imprensa de 1967, e ressaltou que no Brasil já existem leis que protegem o sigilo das fontes. A jornalista disse ainda que o País é uma história de sucesso na imprensa, pois conquistou grandes avanços desde o fim da ditadura militar.   Eleições nos EUA   A jornalista afirmou que ainda não decidiu se votará no democrata Barack Obama ou no republicano John McCain nas eleições presidenciais de novembro, mas afirmou que independente de quem vencer, a imprensa terá liberdade e os Estados Unidos voltarão aos valores tradicionais de uma sociedade.   Judith disse que simpatiza com Hillary Clinton e acredita que a ex-rival de Obama foi impressionante durante a campanha nas primárias democratas. Para ela, a senadora foi vítima de sexismo e prejudicada pelo marido, Bill Clinton.   Segundo a jornalista, a população americana está apostando em Obama, mas esta é uma eleição em que ninguém sabe o que vai acontecer. A jornalista ainda brincou e garantiu que, democrata ou republicano, o próximo presidente ficará irritado com a imprensa americana assim como Bush.

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