Porta-voz de Bush admite que mentiu no caso de espiã da CIA

Em prévia de livro, Scott McClellan afirma que passou falsas informações a pedido de altos oficiais do governo

Associated Press e Efe,

21 de novembro de 2007 | 09h21

O ex-porta-voz da Casa Branca Scott McClellan culpou nesta quarta-feira, 21, o presidente americano, George W. Bush, e o vice-presidente Dick Cheney pelos esforços para enganar a opinião pública sobre o papel do governo no vazamento da identidade de uma espiã em uma operação da CIA.   Em seu livro, McClellan conta sobre a coletiva realizada em 2003, em que ele disse aos repórteres que Karl Rove, conselheiro pessoal do presidente Bush, e Lewis "Scooter" Libby, assessor do vice-presidente, Dick Cheney, não estavam envolvidos no caso.   A identidade da agente Valerie Plame foi revelada em 2003 depois que seu marido, o diplomata Joseph Wilson, acusou o governo Bush de manipular informações secretas para conseguir apoio para a guerra no Iraque. Segundo evidências coletadas por um jornalista do New York Times, no entanto, Rove teria deixado vazar o nome da agente durante uma conversa telefônica.   "Existia apenas um problema. Era uma mentira", escreve McClellan, de acordo com uma prévia da obra publicada nesta terça-feira, 21. "Eu tinha a consciência de que estava passando uma informação falsa. E de que cinco dos mais altos oficiais da administração estavam envolvidos: Rove, Libby, o vice-presidente, o secretário de Estado (Andrew Card) e o próprio presidente".   A atual porta-voz da Casa Branca Dana Perino afirmou que as intenções de McClellan não estão claras. "O presidente Bush não pediu e nunca pediria que um porta-voz passasse falsa informação".   Plame se disse horrorizada com a confirmação de que o porta-voz foi obrigado a mentir diante da imprensa. "Fiquei mais chocada com a notícia de que não só Karl Rove e Scooter Libby pediram para que ele mentisse, mas também Cheney, Andrew Card e o presidente Bush".  O caso foi acompanhado judicialmente nos Estados Unidos, onde é proibido revelar a identidade de um agente secreto. Segundo a própria ex-agente, começou como uma represália contra o seu marido, o diplomata e ex-embaixador Joseph Wilson, por ter denunciado que a Casa Branca manipulava a opinião pública   Libby, chefe de gabinete de Cheney, foi condenado a 30 meses de prisão por obstruir a investigação judicial do caso, mas depois foi indultado pelo presidente americano. Considerado o estrategista de Bush, Karl Rove renunciou ao cargo de assessor no final do mês de agosto.

Tudo o que sabemos sobre:
EUABushValeria PlameCIA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.