Potências esperam retomar negociação nuclear com Irã em breve

Os ministros de Relações Exteriores de seis grandes potências disseram na quarta-feira ao Irã que esperam chegar em breve a uma solução negociada nas discussões envolvendo seu programa nuclear, sem abrir mão das negociações sobre um possível intercâmbio de material atômico.

ANDREW QUINN, REUTERS

22 de setembro de 2010 | 17h25

"Nosso objetivo continua sendo uma solução abrangente, negociada e de longo prazo, que restaure a confiança internacional na natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear do Irã", disse a nota, divulgada na sede da ONU por Alemanha, China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia, com termos idênticos ao esboço que havia sido antecipado pela Reuters.

Em junho, essas potências se uniram para aprovar um novo pacote de sanções ao Irã. Os EUA e seus aliados temem que o programa nuclear iraniano esteja voltado para o desenvolvimento de armas atômicas, embora Teerã insista no caráter pacífico das suas atividades.

Os seis países, desde então, tentam atrair o Irã de volta à mesa de negociações, mas "até agora tem havido um silêncio retumbante em resposta a esses esforços", segundo relato de uma fonte oficial dos EUA a jornalistas, acrescentando, no entanto, que "há algumas indicações quanto à disposição deles" em fazer reuniões.

Após a divulgação da nota, o chanceler britânico, William Hague, disse que "é hora de o Irã se envolver numa negociação real, num diálogo real e construtivo, sobre todo o seu programa nuclear."

"Direi isso quando me encontrar com o chanceler deles, (Manouchehr) Mottaki, ainda hoje", acrescentou.

Um diplomata de alto escalão disse que, caso o Irã não ceda, as seis potências devem voltar ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir novas punições ao país, mas não tão logo.

A nota diz que o grupo também discutiu a implementação das sanções da ONU, e que as potências continuam abertas a abordar a retomada do programa, proposto inicialmente em outubro, pelo qual o Irã entregaria seu estoque de urânio baixamente enriquecido, para em troca receber combustível para um reator de pesquisas médicas.

Isso supostamente evitaria que o Irã enriquecesse urânio até o grau de pureza usado em armas nucleares.

O texto sugere uma reunião do Grupo de Viena (Rússia, França, EUA e AIEA, a agência nuclear da ONU) para discutir elementos técnicos do acordo.

"Esperamos uma participação construtiva e positiva do Irã nesse diálogo", diz a nota.

Inicialmente, o Irã não aceitou o acordo de intercâmbio mundial, mas em maio, após intervenção do Brasil e da Turquia, Teerã voltou atrás e passou a cogitá-lo.

Os EUA dizem repetidamente, no entanto, que o intercâmbio de material nuclear seria apenas uma parte de qualquer discussão mais ampla sobre o programa nuclear iraniano.

(Reportagem adicional de Missy Ryan e Louis Charbonneau)

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