Preços globais de alimentos chegam perto da máxima de 3 anos

Os preços globais de alimentos ficaram perto da máxima de três anos em julho e os estoques atingiram níveis mínimos, acumulando a pressão sobre os mais pobres, afirmou o Banco Mundial nesta segunda-feira.

LUCIA MUTIKANI, REUTERS

15 de agosto de 2011 | 21h10

O índice do Banco Mundial que mede o preço dos alimentos subiu 33 por cento em julho em relação ao mesmo mês do ano passado e ficou perto dos maiores níveis atingidos em 2008, com aumentos significativos nos preços do milho e do açúcar.

"Persistentemente preços elevados de alimentos e estoques reduzidos indicam que ainda estamos na zona de perigo, com as pessoas mais vulneráveis com menos capacidade para lidar com isso", afirmou o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

Preços mais altos de alimentos e energia têm contribuído para a pressão inflacionária no mundo, mas o problema tem sido mais grave nos países em desenvolvimento.

Embora os preços estejam controlados na maioria dos países desenvolvidos, incertezas sobre a economia global e a situação política no Oriente Médio e no Norte da África indicam que os preços do petróleo permanecerão voláteis, mantendo a inflação no radar.

Enquanto a oferta geral de alimentos melhorou desde abril, principalmente devido a boas colheitas de trigo nos Estados Unidos e na Europa e melhores rendimentos de milho na Argentina e no Brasil, os estoques globais permanecem "alarmantemente" reduzidos, disse o Banco Mundial.

A produção global de grãos em 2011/12 está projetada para aumentar 3 por cento em relação à estimativa de 2010/11.

O Banco Mundial disse que o movimento para a produção de biocombustíveis também estava elevando o preço do milho, notando que nos primeiros quatro meses de 2011, a demanda por milho norte-americano para a produção de etanol subiu 8 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

Os preços do arroz subiram 11 por cento no último trimestre depois de recuarem desde fevereiro. Os preços do açúcar avançaram 29 por cento entre maio e julho em meio às preocupações com a colheita menor que o previsto de cana-de-açúcar no Brasil.

"Devido ao fato de que açúcar e óleos vegetais compõem 50 por cento do índice de preços de alimentos do Banco Mundial, a volatilidade nestes preços provavelmente tem efeitos inesperados nos preços dos alimentos nos meses adiante", disse a entidade.

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